Alice na Toca do Coelho

Então, eu sou capricorniana, gosto de planejar as coisas, mas algo que decidi fazer em minha vida é − deixar as coisas fluírem. Por isso, ando evitando organizar tudo, planejar cada passo, e para apimentar minha existência resolvi abrir espaço para o acaso. E, nessa onda de deixar a vida me levar, eu estava pensando o que fazer antes das aulas começarem. As opções eram várias. Na verdade, se eu tivesse me organizado daria para ter feito o meu intercâmbio que vivo adiando a anos. Ele ia rolar com uma ex namorada, mas ela acha que não dar para manter a amizade e prefere evitar contato, eu respeito isso. Eu tenho um pouco de medinho de partir para o mundo assim meio que sozinha, mas é algo que vou trabalhar esse ano, senão certos sonhos ficarão apenas no papel.

Daí a mocinha pensa em ir para um lugar não tão longe e que já conhece, Sampa, também, ver a oportunidade de participar de um congresso, quem faz faculdade, sabe que esses congressos nas férias são os melhores, pois você está de boa, não tem nada para estudar, não tem provas, trabalhos, seminários, etc; uma ótima chance para discutir assuntos da sua área e de uma forma leve, você nem precisa faltar as aulas, fazer aquela média com os professores para não levar falta. Só é um ruim para quem quer se desligar de vez dos estudos, porque há pessoas que levam a sério esse lance de férias, quer ficar completamente de buenas mesmo. Enfim, então fiz minha inscrição e decidi participar.

Antes do congresso rolar, fui para sampa, passei réveillon com alguns primos que não via há um bom tempo, vi amigos que também não tinha visto há um tempão. Tudo dentro da casinha. Mas assim depois disso muita coisa aconteceu, cada coisa inesperada. Eu entendo a super proteção e preocupação da minha mãe, realmente, o mundo lá fora é cheio de tudo, de tudo que você possa imaginar: muita droga, muita bebida, muita promiscuidade, muita gente esperta, mas essa esperteza dura até encontrar outra pessoa esperta, muita gente querendo se dar bem sem transpirar uma gota de suor. Eu posso dizer que como voyeur vi muita coisa.

O bom de ter tido uma educação sólida, é que de fato, certas figuras que você esbarra pelo caminho no máximo te fará refletir sobre a existência humana e o sentido da vida. Ás vezes penso que, me manter no meu mundinho cor de rosa, na minha bolhinha seria o melhor para mim, mas dessa forma, eu seria a eterna menina, nunca iria crescer de fato, então, é bom ver a realidade, enfrentar a realidade, mesmo que ela não seja a minha, é bom conhecer as várias esferas da vida. Pois bem, eu não saberia classificar pessoas boas de pessoas ruins. Para mim há pessoas mais evoluídas e outras menos evoluídas, um dia a ficha cai e a própria pessoa retraça ou não o seu caminho.

Como estava na terra de onde tudo pode acontecer, e eu sempre fui apreciadora da música eletrônica, etc e tal; recebo um convite para ser sócia de uma balada. Eu aceitei por “n” motivos, o principal era que pensei comigo, se esse negócio desse certo, adeus mesadinha da família. Eles super me apoiam, mas sei lá, às vezes que queria poder bater no peito e dizer: Essa grana foi com o meu suor. Por isso, estava dando aulas, eu não preciso, porém, me fazia sentir bem porque era uma grana que eu mesma estava ganhando. Só que trabalhar com balada não foi muito bem aceito pela minha família, causou um reboliço da zorra, não entrarei em detalhes, mas tive que sair do empreendimento.

Bem, mas assim esse curto período de experiência me fez conhecer gente de todo tipo. Não somente na balada, mas até no dia a dia, porque uma casa noturna não se faz apenas quando o dj tá na pista tocando. Nós temos que ir atrás de distribuidoras de bebidas, parcerias, precisamos organizar o marketing e divulgação, contratar pessoas, toda casa tem que ter bombeiro e enfermaria, é preciso de uma equipe eficiente de segurança, além disso, tem toda uma burocracia para abrir empresa, emitir alvarás de funcionamento, enfim. É toda uma mão de obra e essas vivências me fez conhecer cada figura típica paulistana, como disse no mundo há de tudo.

Meus caros leitores, vocês podem parar e me julgar, quem tem blog tem que estar preparado para as críticas boas e ruins, mas eu nunca tinha conhecido uma transexual de perto e esse trabalho me fez ter contato com uma e pessoas, por favor, abram sua mente, esse pessoal é super do bem mais do que vocês imaginam. A única coisa que eles querem é andar tranquilamente nas ruas com a identidade de gênero que os deixam mais felizes. Conheci uma transexual que é jornalista e fez jornalismo na Unesp, conheci uma que é advogada, outra que é hostess e lindíssima. Eu que já tinha escrito sobre elas em meu TCC, dessa vez, pude conviver de perto com elas e se caso ingressar na residência de psiquiatria eu quero me especializar em sexualidade, quem sabe meu TCC na faculdade de medicina seja sobre transexuais? Quem sabe?

Olha, eu posso dizer que toda essa bagagem que a terra da garoa me deu em alguns dias, talvez, qualquer intercâmbio na França ou qualquer país da Europa e América Latina não tivesse sido tão válido, por isso, não me arrependo de ter adiado novamente meu sonho de desbravar o mundo afora. Eu, também, queria dizer que música alta é muito bom, eu gosto de música eletrônica, de dançar, mas, sempre, sempre, sempre, é uma espécie de fuga, pois o silêncio nos traz ao centro de nós mesmos, nos faz mergulhar no autoconhecimento e, talvez, seja disso que as pessoas tanto fogem: De si mesmas.

Carpe Diem, funciona, em um curto breve espaço de tempo, até porque todo mundo precisa tirar férias de si mesmo de vez em quando. No entanto, isso para mim é um hobby, um hobby que, eu acesso uma vez ou outra justamente por curtir o som, mas fica nisso e pronto. Eu prefiro o silêncio, no meu dia a dia, na minha rotina, ele me faz me acessar, acessar o meu próprio mundo e me conhecer, saber quem eu sou para mim é o maior sentido da vida, por isso no meu Deezer e Spotify, Tiago Iorc, é escutado trilhões de vezes, é que muitas vezes é gente demais, falando demais, ir atrás de um pouco de paz é dahora, como diz o paulistano. Mas cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.

Beijinhos de chocolate com morango, meus amores e minhas amoras!

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Congresso Nacional dos Estudantes de Medicina – COBREM

Mores, as faculdades de Medicina estão cada vez mais negras, pardas, coloridas, cheia de viados e sapatão, da galerinha menos abastada, graças a Deus, diria a nossa querida Inês Brasil. Minhas impressões sobre o Congresso é que: A juventude dessa nova geração é porreta; ela não quer apenas exercer a Medicina, ela quer mudar o mundo, se importa com as questões sociais, se importa com o paciente de forma humanizada, ele não é apenas partes anatômicas; é uma galerinha que possui empatia, coração e consciência. Resultado: Simplesmente positivo.

Quanto a mim, mores, não sou mais aquela devoradora de microfones, arrasadora de palanques, mas continuo com a mesma utopia, apenas fora dos holofotes, porém, aguerrida, uma aguerrida um tanto mais tranquilex. Eu participei dos fóruns, opinei, falei o que penso, vi todas as mesas, com direito a arrepios e tudo, mas livre, participei de tudo com liberdade, eu que fiz minha programação e fui nas atividades que estava interessada, sem aquela militância cega, que você sente uma certa obrigação de fazer como manda a cartilha das instituições as quais representa, meu partido sou eu, rsrsrs.

Também não curto mais dormir em alojamentos, virar noites a fio com a galera em uma discussão marxista trotskista stalinista lenista pós moderna contemporânea, hahahhahahaha. Ando mais comedida, no entanto, mores com a mesma ideologia almejando uma sociedade mais igualitária e justa para todos. Abraço todas as minorias, sim, porque SIM!

Eu senti falta no congresso daquela guerra das chapas, de ver o povo brigando pelos votos dos delegados e delegadas, das bandeiras de todas uniões da juventude como da Juventude Revolucionária, União da Juventude Socialista, Juventude do PT, etc; das instituições estudantis como UNE, UEE, entre outras. Pensei que nesse quesito fosse ser mais emocionante e, entretanto, foi bem comportada.

No geral, percebi que ainda há esperança, que boa parte dos estudantes de Medicina são contra o Golpe, querem o Fora Temer, lutam por mudanças para o povo brasileiro e que ainda há uma chama acesa em mim, reavivou meu espírito de luta e posso dizer que esse congresso foi muito bom para mim, e mores, como disse Cazuza: “Os dados ainda estão rolando,” hahahahahhaha… gostaria de fechar esse texto com uma frase linda do Florestan Fernandes que serve para todos os estudantes de todos os cursos e de todo o mundo: “Ou os estudantes se identificam com o destino do seu povo, com ele sofrendo a mesma luta, ou se dissociam do seu povo, e nesse caso, serão aliados daqueles que exploram o povo.”

Estudantes de todo mundo: Uni-vos!

Uma Pluma Solta Pelo Ar

Seu nome era Cassandra, mas todos as chamavam de Lua, preferia assim. Desde pequenina gostava de observar os astros, determinou que seu nome seria esse e não respondia outro chamado. Todos achavam que ela faria astronomia, mas fez ciências biológicas; dizia que gostava de estudar as borboletas. Ela era uma borboleta! Uma estrela borboleta!

Lua já não tinha poucos aninhos, acabara de completar 30 anos. Ela não sentia o tal peso da idade balzaquiana como a maioria dizia. Trinta anos era apenas trinta anos! “Cacildes, tenho tanto a viver! Ainda não fiz mais que a metade que me propus.” Assim sentia-se, de vez em quando, mulher e, por vezes menina e quase sempre menina-mulher. Se perguntassem a ela explicação para as suas coisas, ela parava, observava e pensava: “Ora, bolas, por que tenho que andar-me a explicar? Fazia birra e não respondia nada!”

Liberdade para ela é como uma pluma solta pelo ar. Sempre se fez sentir o gostinho da liberdade. Certa vez, pegou sua bike rosa pink e junto com seu primo, eles tinham entre 7 e 8 anos; pois bem, os dois juntos fizeram um pacto de que iriam viajar e as suas bicicletas eram como se fossem duas motos. Os dois partiram às 16h, na cidade do interior sergipano, pegaram estrada a dentro. No meio do caminho invadiram fazendas, comeram cajus do pé, subiram nas árvores de manga, tomaram banho de rio… a família toda aflita; dava 20h, 22h e nada desses meninos chegarem. O vento que batia em seus rostos era a sensação de ser livre que ambos queriam. Tão bom ser-se liberdade!

Uma hora da manhã lá vinham os dois, as gargalhadas, felizes, dentes todos de fora; sujos de barro dos pés a cabeça; molhados feito dois pintos; as bicicletas nem cor tinham mais. A tia da Lua e mãe do Felipe completamente desesperada até a polícia tinha acionado. Quando avistou os dois passarinhos chegando, não pensou duas vezes, correu para abraça-los, e os fez prometer que nunca mais aprontariam tamanha peraltice.

Essa história sempre é relembrada e recontada milhões de vezes nas reuniões familiares. Eles só queriam ser livres, duas crianças travessas, que sentiram o gostinho da liberdade, tanto no paladar quanto na face do rosto. Lua era assim toda livre desde menina. Cresceu achando que o mundo era seu e tinha certeza absoluta disso.

Quando adolescente mais parecia uma bailarina a dançar em nuvens de algodão! Uma vez ao fazer uma trilha com os amigos, subiu em uma pedra e bem na sua pontinha se equilibrou; o namorado quase teve um infarto e ela lá bem na extremidade da rocha, grita: “Eu sou livre! Eu sou a Lua! Uma estrela borboleta!

Ela não gostava de mandos, desmandava todos eles. “Quem são esses que pensam que podem? Vão-te procurar o que fazer!” Dizia um tio muito do machista: “Pode deixar que coloco cabresto nessa guria!” Cabresto? Era difícil! Que mané, de cabresto! Lua soube ser-se bem direitinho, voou, decolou e não houve correntes certas para prendê-la. Ela era toda assim quando fazia algo era corpo e alma, bem mais alma que corpo; ela submergia, mergulhava profundo, no seu vocabulário não havia meio termo, ou era ou não era.

Fez 30 anos. Ainda que por vezes cambaleasse sentia-se livre. A liberdade ainda era uma pluma solta pelo ar. E as estrelas e as borboletas ainda eram suas amigas.

liberdade

2016 e as Coisas da Vida

Eu pensei que não fosse dizer isso até o último segundo do dia 31 de dezembro, mas diante a tudo que aconteceu a mim, posso afirmar que 2016 já acabou. Esse ano, realmente, foi o ano das expiações; uma notícia ruim sempre vinha e anulava uma boa. Eu nem sabia direito se comemorava ou se ficava triste, parecia até uma seleção para os concursos públicos, no qual, as provas são elaboradas pela empresa Cespe, uma questão errada anula uma correta.

Um escritor lá do sertão da minha querida, Minas Gerais, Guimarães Rosa, já tinha cantado a bola quando disse que: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” E, a gente vai aprendendo na marra que viver é um aperreio danado e alguns pequenos intervalos de sossego.

Não quero, meus amores e minha amoras, que pensem: “Ela eencontra-se a lamentar.” Quando disse que o ano já findou, me refiro que, 2016 já foi um ano de muitos aprendizados e eu que estava reiniciando e bolando novos planos e, ainda estou, pois todo dia é dia para começar. Com isso, quero que chegue logo 2017. Bem, deste ano, só quero ficar com as boas lembranças, vou fazer a louca da memória seletiva sim, porque não sou obrigada.

Por isso, acredito que o recado foi dado e, os atralavancos deste ano já foram aprendidos. O que mais saquei de tudo que vivi é que o cara que fez a revolução em Cuba, o grande, Ernesto Che Guevara, tinha toda razão quando disse: “Há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura.” Então, ainda continuo doce como chocolate, claro que, sem glúten e sem lactose, hahahahaha, mas ainda assim, doce. Porém, forte pra &%#$@*. É isso aí!

Mas de todas as sacanagens, a que vivenciei essa semana foi de longe, a menos difícil, a perda de uma pessoa especial, nunca é fácil. Eu estava me enganando há um bom tempo, remediando os meus sentimentos, uma espécie de estratégia de sobrevivência, Darwin, teria se orgulhado de mim, mas, coração não é apenas fisiológico, esse negócio não bombeia somente sangue, ele parece está vivo e cheio de emoções. Não resisti e chorei, chorei minha dor, rasguei minha dor, nesse momento, quem vos escreve está mais conformada. Às vezes, óbvio, lembro de alguns fatos, nos quais, minha vózinha sempre estava nos fazendo rir e as lágrimas descem. Daí bato aquele papo comigo e digo: Garota, deixe de aperreio, ela está bem! Ela se foi com um semblante de paz, certamente, ela já cumpriu com sua missão aqui na Terra. Então pega o seu coraçãozinho e sossega!

Acho que é isso! Vou seguir em frente, ficar apenas com a onda da memória seletiva, lembrar somente das coisas boas e em homenagem à Marinalva tentar sempre ser uma pessoa melhor, pois foi esse legado que ela deixou para todos nós: Amar ao próximo como a nós mesmos e fazer o bem sem olhar a quem. E, que venham os aperreios e as alegrias do ano de 2017, porque o que a vida quer da gente é CORAGEM.

Resenha Sobre o Filme “O Perfume da Memória”

“A história é sobre a paixão entre duas mulheres, mas não impõe bandeiras. É amor sem signos fechados. Essas duas mulheres poderiam ser substituídas por um homem e uma mulher ou por dois homens. O PERFUME DA MEMÓRIA trata do amar, como verbo. E o amar, como verbo, dispensa substantivos, dispensa rótulos” (Rodrigo Fonseca, crítico de cinema, O ESTADO DE S. PAULO).

O que você faria se o desejo, o amor e um segredo batessem em sua porta no dia seu aniversário?

No dia em que você se divorciou…

Ana e Laura, dois seres completamente diferentes. Ana, asas; Laura, chão.

Ambas esperam coisas explicitamente opostas da vida e do amor.

Ah, mas o amor! Esse sentimento tão desconhecido não busca por razão. Ele dilacera quando tem que dilacerar.

Pois bem, Laura, abriu a porta da sua casa para Ana.

E, assim, é a trama, em um único cenário; na casa da Laura, bem no dia que ela não quer comemorar seu aniversário com os amigos, porque está absorta, envolvida em uma daquelas depressões causadas por rupturas amorosas.

A câmera é o voyeur, elas estão ali, e nós cá estamos a ver tudo se passar. A música, ah, que cenário musical maravilhosamente encantador! Parece que a trilha sonora tira Ana para dançar, e ambas nos seduzem; Ana tão sedutora vai nos guiando, vai guiando Laura, e guia todo o filme. Laura, naturalmente, não resiste e dança com ela. Que ciranda mais instigante, mais sensual, mais fascinante!

Pronto, essa é a palavra chave do filme: Fascinante!

Ana e Laura, tão iguais e tão diferentes! Ana apaixonada pela vida e pela arte, entra em contato com as poesias inconfessáveis e impublicáveis da Laura. Claro, que isso a faz querer conhecer a dona de palavras tão dilacerantes! Laura ao vê-la, não faz ideia, mas Ana é de causar suicídios na alma.

Assim as duas vão se envolvendo, e apenas em uma noite, se apaixonam de forma tão intensa.

Laura e Ana são incontestavelmente de uma beleza arrebatadora!

E, a narrativa segue com poesia e música. Flautas, poesia e violinos. Pois, há as digressões de duas musicistas e a voz do cineasta Osvaldo Montenegro que, nos mostra o quão o amor pode ser tudo, principalmente, surpreendente!

O que você faria se o amor da sua vida e um segredo batessem em sua porta?

SIM!

Laura abriu a porta da sua casa. Ana entrou e como um furacão mudou tudo.

Elas em suas afinidades mágicas disseram: SIM!

Esse é um filme sobre mulheres, sobre duas mulheres, sobre o amor, a poesia delicada dos encontros. Ele permanece como uma fragrância que nos atrai, como a presença forte de um perfume que fica na memória.

 

Marcos e o Amor?

Marcos estava absorto em seus próprios pensamentos, sentado na rede da varanda do seu apartamento, o aroma do café entrava pelos pelos da sua narina, subia vagarosamente para a parte sensitiva do seu cérebro e toda aquela sensação o fazia reflexivo. O que era o amor para Marcos? Ele não tinha a noção exata, poderia ser tudo aquilo do que pensava, mas como também poderia ser justamente ao contrário. Marcos não sabia de nada, igualmente, não tinha a pretensão de saber de nada. Ele só queria sentir. Sempre escolheu tudo pelo sentimento. Suas companhias nunca foram ensaiadas; ele gostava mesmo era dos improvisos. A vida nunca fora um ensaio! Ele sabia que os imprevistos tinham sabores melhores. E, esse danado de destino gostava de lhe surpreender! Mas o que seria o amor para esse cara de 38 anos; publicitário; pai de duas meninas, uma de oito anos e outra de 11 anos; que falava quatro línguas; tivera três esposas, mas nunca casara na igreja. Ele foi anarquista na juventude e meio que assim levou tal conduta para sua maturidade, embora, hoje, fosse um esquerda voltado para o centro e pequeno burguês, verdade seja dita! Para ele o amor poderia ser a memória de um perfume doce; o jeito meigo de falar e de dizer, “se cuida”; um bom vinho; um filme daqueles que te deixam em órbita; um violoncelo; um sorriso feito o sol; o clarear de um amanhecer; uma mensagem no meio daquela reunião chata; uma comida chinesa porque passara o dia atribulado e não tiveste tempo de comer; uma viagem inesperada para um lugar deserto; andar de mãos dadas após sair do cinema; e aquela pegada de estremecer as pernas. O amor pode ser tudo e ao mesmo tempo completamente diferente do que imaginamos. Ele é um cara não muito exigente, ele sentia e isso era o bastante. É Marcos, entretanto, de uma coisa o poeta estava certo:

“Carlos, sossegue, o amor

é isso que você está vendo:

hoje beija, amanhã não beija,

depois de amanhã é domingo

e segunda-feira ninguém sabe

o que será” (Drummond).

Mitos Sobre a Faculdade de Medicina

Que só há gênios

Pessoal, vamos desmistificar isso aí! As pessoas pensam que por medicina ser um curso muito concorrido, só passa quem possui inteligência acima da média. Meus amores e minhas amoras, o que tem no curso é muita dedicada, esforçada, se lascando nos estudos para ser um bom profissional. Há alguns alatravancos no caminho, por exemplo, o curso é integral, então você estuda à noite ou à noite. Cada professor pensa que só existe a matéria dele, então dali em meter assuntos para os alunos estudarem; as provas geralmente são sempre no mesmo dia e na mesma semana, então te vira, negão! Mas de resto não há nada de genialidade, o que há é muita ralação, suor, lascação, rsrsrs.

Medicina é somente para ricos

Cara, na boa, uma das melhores alunas no curso da faculdade que superou a USP, a UFRJ, é filha de uma faxineira. Não, não, têm só pessoas milionárias. Tem muita gente filho de trabalhador, professores, assalariado, classe média que, estuda medicina, assim como também, tem uma galera com grana. É muito tudo bem distribuído! A não ser que a faculdade seja particular e a mensalidade seja 10 mil reais, aí acho que a peneira não é apenas os conhecimentos e sim o bolso. Mas, na boa, o que tem é muita gente com vontade de salvar vidas e dar sua vida para isso. Ou seja, querer ser médico só precisa de um pré-requisito que não é financeiro: Força de vontade.

Quem faz medicina não tem vida social

Que história da carochinha! Claro que não! É óbvio que em período de provas, você não pensa em mais nada; na sua cabeça só vem provas, seminários, provas, seminários, relatórios, provas, seminários, relatórios. Mas depois que passam e a matéria esteja em dia, dar para você tomar sorvete com seu crush, ir ao barzinho com os amigos, pegar aquela onda no mar, sem falar, de alguns finais de semana que se forem bem organizados dar para você assistir sua série preferida no Netflix, e quando surge aquele feriado rola de viajar para ver os parentes queridos. Tudo é uma questão de organização e prioridades! Dar tempo, é só fazer primeiro as obrigações e depois feito isso, relaxar um pouquinho, até porque ninguém é de ferro.

Putz, para estudar medicina tem que ser jovem!

Cara pálida, claro que não! Tudo é uma questão de até onde você quer ir e dar para realizar seu sonho. Já soube de um cara com 50 anos, advogado renomado que, largou tudo para fazer medicina, era seu sonho e ela queria realizar. E, se tornou um ótimo profissional. Já fui amiga de uma cara de 45 anos que era professor de história e está cursando medicina. E, também, geralmente, estudantes de medicina não são tão jovenzinhos. Já vi salas com muita gente novinha, como também já vi sala bastante mista com uma galerinha dos 18 aos 34 anos. Bicho, na verdade, as limitações quem impõe é você. Se você quer, vai, vai com medo, com frio na barriga, mas vai! Outra coisa, não há idade certa para estudar e realizar seus sonhos, pense nisso!

As Diferenças entre Freud e Jung

Sigmund Freud e Carl Jung se tornaram amigos quando Jung em 1902 foi morar em Paris e, posteriormente, foi trabalhar em um hospital em  Burgholzli e no ano de 1904 montou um laboratório experimental. Nesse intervalo de tempo ele entrou em contato com Freud e passou a se aprofundar nos estudos das suas obras. A amizade durou cerca de sete anos, o rompimento foi inevitável, em razão da linha que cada um passou a seguir.

Freud sempre acreditou que as causas das doenças psíquicas envolveriam algum trauma de natureza sexual e nasciam na fase da infância. Freud, também, não admitia o interesse de Jung pelos fenômenos espirituais como fontes válidas de estudo em si.

Para Freud o psiquismo é formado por estruturas denominadas: id, ego e superego, sendo organizadas no consciente e/ou no inconsciente. Ou seja, as pulsões sexuais são quem governam os homens e as mulheres que, são os instintos primitivos, no qual, se encontram localizados no id, de forma inconsciente. Quando esses desejos são reprimidos eles são expressados em conflitos psíquicos na fase adulta.

Já para Jung (1998) o inconsciente é caracterizado em duas camadas. O primeiro é o inconsciente pessoal, onde é mantida toda a experiência pessoal de cada pessoa. Podendo essas se tornarem reprimidas, esquecidas ou ignoradas. Ou também há casos de experiências muito fracas demais para chegarem a consciência.

A outra camada é o inconsciente coletivo, sendo uma área mais profunda da psique. Ela é remontada na infância através de restos das vidas dos antepassados. Nele está contido os instintos juntamente com as imagens primordiais denominados arquétipos, herdados da humanidade.(Jung,1998).

Além disso, como foi citado anteriormente Freud tinha uma visão muito crítica sobre religião e, também, era ateu. Jung insistia que os seres humanos devem prestar atenção à sua vida espiritual. Jung considera a psique humana como, por natureza, religiosa. Ele estudou além do cristianismo, as religiões orientais, Alquimia, Gnosticismo, Mitologia, I Ching, Astrologia, e quase tudo o que poderia ser classificado como ciências ocultas.

Trechos retirados do site exemplificam de forma mais clara as diferenças entre ambos. Mas antes de ler os enxertos é preciso ressaltar que ambos são de fundamental importância para o estudo e análise das doenças psíquicas, sem Freud não existiria a psicanálise, levando em consideração que a psicologia analítica fundada por Jung possui bases da psicanálise. Segue os trechos:

“Ambas consideram de suma importância para o trabalho analítico a análise do inconsciente (inclusive no trabalho com sonhos) e utilizam o discurso verbal como ferramenta. Porém, a psicanálise faz uso da associação livre, que consiste em deixar o paciente falar livremente o que lhe vem à cabeça, para que tudo seja objeto de análise.

E a postura do analista seria a de um observador e ouvinte que analisa tudo que o paciente traz, colocando-se atrás do mesmo para não interferir em seu processo e deixá-lo o mais a vontade possível. Pelo menos foi essa a postura que Freud passou na época, com o uso do divã.

Na psicologia analítica o psicólogo deixa o paciente livremente, mas não tanto assim, fazendo intervenções quando necessário e conduzindo ou orientando o discurso, não de maneira a influenciar, mas de modo a manter o indivíduo em seu discurso, não permitindo que ele perca o foco e vá para caminhos que, muitas vezes, podem ser distrações a serviço da resistência e de mecanismos de defesa. A postura do analista nesse caso já é diferente, pois ele se coloca como uma outra personalidade a frente do paciente, mostrando-se como uma outra pessoa passando pelos mesmos processos que o outro, apenas mais analisado e treinado para que possa ajudá-lo. Com isso, Jung defendia que a personalidade do analista está envolvida e também era um dos fatores que determinava aquela relação e aquele processo. Defendia ainda, que ambos estavam numa jornada, aprendendo, se descobrindo e se influenciando mutuamente, em busca de seus inconscientes.”

Espero que esse texto tenha elucidado algumas dúvidas acerca desses dois grandes gênios. Além de suscitar o interesse em vocês de se aprofundarem mais nos estudos de suas obras. Eu estou lendo “A Individuação e a Função do Inconsciente” e “A Energia Psíquica” de Carl Jung e recomendo ambos os livros. Do Freud eu já li aos 15 anos e estou precisando reler “O Ego e o Id e Outros Trabalhos”, “A Interpretação dos Sonhos” e “Estudos Sobre a Histeria” e esse ano eu li um trabalho de um especialista que resultou na publicação do livro “O Complexo de Édipo”. Indico todos esses livros para os fãs da psicanálise, psicologia e psiquiatria.

À espera de alguém que arranque meu sorriso

Há uns sete meses eu fui em um pai de santo para ele jogar búzios para mim. Eu com o intuito de saber mais da vida profissional, mas essa galera sempre fala de amor, segundo o pai de santo eu tenho problemas com Maria Padilha, perguntei o motivo e ele não me explicou muito bem. Eu disse bem, a verdade é que eu estou à espera de alguém especial, não tenho mais paciência para jogos, para flertes rasos, etc, quem estiver do meu lado certamente vai ser A mulher para mim.

Isso me faz esbarrar com uma questão: e o sexo? Pensei, bicho, nós sobrevivemos sem tantas coisas e por que não ficar sem? Eu mesma estava em um namoro que isso era o que nos ligava é tanto que eu em pouco tempo já não tinha mais prazer em conversar com a pessoa. Uma amiga minha uma vez quando eu estava conhecendo uma mulher mais velha, ela tinha 45 anos, me disse que seria bom eu me relacionar com uma pessoa nessa idade porque eu era muito menina. Ela disse que nesse quesito éramos muito parecidas, pois sempre criávamos um castelinho, um conto de fadas e pronto já começávamos a viajar na maionese.

De certo modo essa minha amiga tem razão, eu não sei amar sem criar esse ar de conto de fadas, mas não é algo que fuja da realidade. Eu apenas não sei fazer sexo pelo sexo e da vez que tentei isso porque estava fugindo de relacionamentos não consegui. É claro que no início tudo é muito pele e só o tempo vai dizer se essa é a pessoa digna do seu sorriso. Sempre pensei assim que criar expectativas não é muito bom, então mesmo dentro do meu castelinho sempre mantive um certo senso de realidade.

Mesmo depois de ter terminado um namorico em março e ter ficado com uma garota em abril (nós nos conhecíamos a dois anos, mas não estava apaixonada por ela), eu não tenho vergonha nenhuma de dizer que estou sozinha, se às vezes o calor humano faz falta, sim faz falta, mas me entregar a qualquer uma que aparece não é bem o que eu quero. Então ainda continuo como falei ao pai de santo à espera de alguém especial. Se essa pessoa vai demorar ou vai aparecer logo isso eu não sei, também não estou pensando muito nisso, mas que quem eu ficar não será por carência ou levianidade será porque essa garota arrancou o que há de mais lindo em mim: o meu sorriso.

P.S.: O pai de santo disse que eu sou filha de Iansã, mas já fui em outros dois lugares que disseram que eu sou filha de Iemanjá e Ogum. Galerinha dos orixás se decidam porque eu tenho vontade de saber quem é o meu santo, rsrsrsrs.

Cuidar é Um Ato de Amor

O cuidado na área da saúde é muito discutido (no entanto, acho que deveria ser bem mais debatido. Bem, o que é o cuidado no meio hospitalar?

Certa vez, estava em uma visita no hospital e observei o carinho com o qual a técnica de enfermagem passava para um senhorzinho que estava (eu acho pela aparência) com desnutrição e ele a todo momento vomitava. Não vi nenhuma expressão de desdenho na face da técnica, ela o segurava e ainda o acarinhava. Um momento em que ele cessou de vomitar, ela o levou ao banheiro para banhá-lo (não sei como ela deu o banho, meus olhos não podiam alcançar tanto), depois retornou e o colocou com tanta delicadeza em cima da maca e chamou outro técnico para aplicar o soro.

Mas o que observei a todo instante é que ela tinha um cuidado interessado com o paciente. Um dia desses li uma frase de uma médica admirável, drª Júlia Rocha que dizia mais ou menos que o profissional da saúde precisa é atender o paciente, mas com muuuuuita, mas muuuuuuuuita vontade de atendê-lo. Acho que o cuidado além de ter muito amor na intenção deve ter essa fome de atender.

Quando o estudante que aspira estudar medicina ou adentrar em algum curso da área da saúde o que ele mais quer é cortar, é ver sangue e de ser um profissional extraordinário, mas essa imaturidade é compreensível, muito compreensível; essa é a primeira fome dele. Após isso o que deve aparecer no estudante já de saúde é a fome, a fome de atender o paciente, porém, essa fome não deve vim desacompanhada ela tem que vim com amor e o cuidado. E não há cuidado sem amor e amor sem cuidado. Cuidar é um ato de amor!

Então acho imprescindível que desde o primeiro período do curso afins da área da saúde coloquem no centro da grade curricular disciplinas que tratem de trabalhar tanto a parte teórica quanto a prática acerca do cuidado, o cuidado em saúde. E a pergunta, o que é o cuidado no meio hospitalar?, deve ser sempre feita do início, no meio da graduação, na residência e até o dia que o trabalhador de saúde assine a sua aposentadoria. Essa é uma questão que deve ser sempre rememorada e discutida sempre. E, para não perder o costume quero deixar aqui uma frase que me faz tanto ter esperança na busca por uma saúde mais humanizada: “Qualquer amor já é um pouquinho de saúde” (Guimarães Rosa).