Amigas

Mas ora bolas, Cassandra, a vida voa!

“Voa sim, Gabi!”

Nossa amizade começou lá no parquinho da pracinha e já vai tantos anos que você será madrinha do meu sobrinho! (Rir).

“Com tudo isso, o laço que era imaginário tornou-se quase um parentesco.”

Nossos destinos foram traçados para se cruzarem mesmo. Veja a vida como ela é meio louca!

“Muito louca.”

Cassandra, lembra daquela viagem que fizemos a Porto Seguro? Você se encantou com um dançarino e disse que ia morar lá?

“Há-há-há-há… a paixão durou até eu conhecer aquele italiano e disse que ia morar na Itália!”

Você era toda intensa. Cheia dos amores impossíveis.

“Época boa. Nunca mais me apaixonei assim. Hoje, minha vida anda morna.”

Eu também não! Também lembro que fiquei trilouca com aqueles drinks chamados de capeta, o que eram aquilo?

“Nossa! Como lembro! Você deu um trabalho! Me lembrei do banho de chuva na praia. Aquela viagem foi histórica.”

Já dividimos tantos momentos incríveis! Éramos tão exageradas, cheias de paixões pela vida; o que houve, Cassandra, conosco? Por que essa mansidão? Não éramos assim!

“Gabi, poderia dizer que tudo é culpa da vida. Os anos nos roubam a coragem, a falta de medo de ser feliz, de arriscar; o tempo muitas vezes é implacável, nos deixa adultos chatos. Mas acho que não seja só isso, somos nós mesmo. Nós nos conformamos e seguimos.”

Não deveria ser assim. Quero ser menos preocupada e mais feliz. Amiga vamos viajar, diz um lugar!

“Vamos! Voltaremos para Porto Seguro, depois seguiremos para São Paulo, precisamos reviver aqueles verões que passávamos naquela cidade. E por último, Londres. Fecharemos a nossa viagem com a sensação de que a vida não é só isso.”

Combinado. Não quero abreviar o que tanto pode ser vasto. Eu quero mais! Mais que acordar todo dia 6h da manhã, seguir o fluxo, trabalhar 4h, almoçar, trabalhar mais 4h, dirigir, chegar em casa, ver filhos, reclamação de marido, jantar, dormir, acordar 6h da manhã, pagar contas, ir à missa aos domingos, visitar os parentes, dar bom dia, boa noite no elevador para as mesmas pessoas todo santo dia. Não quero ser só isso! Nem acho que a vida seja nascer, respirar e morrer.

“Pois, meu bem! Eu estou aqui como sempre estivemos. Lembra que o plano era morar em Amsterdã? Lembra que o plano era vender flores e viver de felicidade? Onde foi que desviamos?”

Foi a vida, amiga! A vida!

“Não, amiga, fomos nós. Nós abreviamos nossa existência quando deixamos de ser o que queríamos, o que éramos para ser o que convém.”

O tempo foge. Não quero ser apenas falta quero ser completude. Amiga dançaremos lambada como duas dançarinas que fomos naquela praia, naquela viagem de Porto Seguro. Andarei rodopiando porque de passos retos não se vive, se suporta, se aguenta, se habitua, quero ser nua, nua de tudo que me prende.

“Ah, bobinha! Já sabíamos disso! Vamos!”

E assim seguiram para um roteiro de viagem cujo o destino era a liberdade, a liberdade de ser quem quisessem ser, somente.

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