Natália e Sabrina

Leiam escutando essa música:

Elas não tinham nada em comum apenas dividiam o mesmo espaço no ambiente de trabalho, um escritório localizado na Avenida Paulista. Uma era mais séria, a outra mais extrovertida. A mais desinibida sempre a chamava para o almoço, mas sempre recebia um estou terminando esse relatório irei almoçar mais tarde ou eu acabei de comer agora. A verdade era que Natália não gostava muito do jeito jocoso da Sabrina, então, a evitava sempre que desse.

Coisa do destino elas pararam na mesma reunião, embora, trabalhassem no mesmo escritório possuíam funções completamente distintas, mas o acaso está aí justamente para provar que os encontros por vezes são inevitáveis. As duas tinham o mesmo gosto para perfumes. “Que perfume delicioso o seu, Sabrina!” “Obrigada, Natália!” E assim Sabrina foi se aproximando da Natália. Vestiam-se completamente diferentes. Natália mais discreta, enquanto Sabrina adorava usar decotes e calças justas que desenhavam seu corpo esbelto.

Natália passou a observar a Sabrina. Estavam agora trabalhando juntas no mesmo projeto. Passaram a almoçar juntas, a fazer relatórios juntas, a verificar arquivos juntas. Natália tinha uma personalidade forte, logo despertou a atenção da Sabrina. Sabrina muito gentil, sempre disposta a servir e Natália era uma leoa. Natália passou a seguir o balé da Sabrina. “Ah, que balé!”, pensou Natália.

As duas precisaram sair do escritório para ir ao Fórum. Como era próximo optaram por irem andando. Mas choveu. Natália tinha um guarda-chuva. Pediu para que Sabrina o segurasse. Também colocou a mão no ombro dela, Sabrina se corou. Conversaram sobre tantos assuntos inúteis. E se olharam bastante. Quando os olhos se encontravam saíam faíscas. Era tudo muito rebuçado. Um toque aqui, um olhar ali. E ninguém tinha certeza de nada.

Um dia do nada, casualmente, Sabrina entra em um pub e lá está Natália de terninho tomando whisky. Natália ao vê-la, faz um sinal para que ela sentasse ali. As duas beberam tantos drinks, mas tantos drinks que não se sabe como chegaram ao apartamento de Natália. Era um sábado. Um sábado qualquer. São Paulo encontrava-se completamente iluminada, a cidade vibrava, era madrugada, a Paulista repleta de pessoas. Natália jogou a Sabrina na parede. Colocou suas mãos por debaixo do vestido. Sabrina completamente embevecida por Natália deixou que ela fizesse o que quisesse. Natália diz: “Nós não podemos fazer isso! Nós trabalhamos juntas!” Sabrina fala: “Não faça isso comigo. Eu te desejo muito. Ninguém precisa saber.” Natália arranha todo o copo da Sabrina, ela geme. Natália enlouquece de prazer. Ela arranca o vestido da Sabrina. Percebe que a calcinha é fio dental e perde a cabeça. As duas ficam completamente enlouquecidas.

Depois Sabrina vira para a Natália e pergunta se poderá dormir com ela. Natália diz que não pensou em outra coisa e ainda irá fazer o melhor café da manhã que ela já provou. As duas dormem de conchinha. Domingo pela manhã há muitas carícias, muitas risadas, muito café e muitos olhares. As duas estão felizes. Fazem até planos.

Assim Natália perdeu a antipatia por Sabrina e Sabrina por fim conquistou sua paixão platônica. As duas se dão bem até hoje. Adotaram três gatinhas. Frida nasceu. Joaquim também. Abriram uma empresa de câmbio de Euro e Dólar. Casaram no papel. Viajam nas férias. Sabrina engordou um pouquinho depois da última gravidez, mas Natália continua arrancando seus vestidos com a mesma vontade da primeira vez. As duas se amam. Às vezes brigam, mas em questão de minutos já estão se beijando. Natália compra rosas ao menos a cada 15 dias. Sabrina gosta de preparar um risoto de camarão, prato preferido de Natália toda sexta-feira. Sempre diz que a melhor forma de se conquistar além da cama é pelo estômago. Natália adora as crianças, todo domingo as leva para o Ibirapuera, e ninguém sabe diferenciar quem é mais infantil dos três.

Pensar que tudo começou com alguns arranhões, vestidos rasgados, jogadas na parede, beijos e muito toque. Sabrina e Natália. Hoje, Natália, Sabrina, Pérola, Felícia, Joana (as gatas), Frida e Joaquim.

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