Alice na Toca do Coelho

Então, eu sou capricorniana, gosto de planejar as coisas, mas algo que decidi fazer em minha vida é − deixar as coisas fluírem. Por isso, ando evitando organizar tudo, planejar cada passo, e para apimentar minha existência resolvi abrir espaço para o acaso. E, nessa onda de deixar a vida me levar, eu estava pensando o que fazer antes das aulas começarem. As opções eram várias. Na verdade, se eu tivesse me organizado daria para ter feito o meu intercâmbio que vivo adiando a anos. Ele ia rolar com uma ex namorada, mas ela acha que não dar para manter a amizade e prefere evitar contato, eu respeito isso. Eu tenho um pouco de medinho de partir para o mundo assim meio que sozinha, mas é algo que vou trabalhar esse ano, senão certos sonhos ficarão apenas no papel.

Daí a mocinha pensa em ir para um lugar não tão longe e que já conhece, Sampa, também, ver a oportunidade de participar de um congresso, quem faz faculdade, sabe que esses congressos nas férias são os melhores, pois você está de boa, não tem nada para estudar, não tem provas, trabalhos, seminários, etc; uma ótima chance para discutir assuntos da sua área e de uma forma leve, você nem precisa faltar as aulas, fazer aquela média com os professores para não levar falta. Só é um ruim para quem quer se desligar de vez dos estudos, porque há pessoas que levam a sério esse lance de férias, quer ficar completamente de buenas mesmo. Enfim, então fiz minha inscrição e decidi participar.

Antes do congresso rolar, fui para sampa, passei réveillon com alguns primos que não via há um bom tempo, vi amigos que também não tinha visto há um tempão. Tudo dentro da casinha. Mas assim depois disso muita coisa aconteceu, cada coisa inesperada. Eu entendo a super proteção e preocupação da minha mãe, realmente, o mundo lá fora é cheio de tudo, de tudo que você possa imaginar: muita droga, muita bebida, muita promiscuidade, muita gente esperta, mas essa esperteza dura até encontrar outra pessoa esperta, muita gente querendo se dar bem sem transpirar uma gota de suor. Eu posso dizer que como voyeur vi muita coisa.

O bom de ter tido uma educação sólida, é que de fato, certas figuras que você esbarra pelo caminho no máximo te fará refletir sobre a existência humana e o sentido da vida. Ás vezes penso que, me manter no meu mundinho cor de rosa, na minha bolhinha seria o melhor para mim, mas dessa forma, eu seria a eterna menina, nunca iria crescer de fato, então, é bom ver a realidade, enfrentar a realidade, mesmo que ela não seja a minha, é bom conhecer as várias esferas da vida. Pois bem, eu não saberia classificar pessoas boas de pessoas ruins. Para mim há pessoas mais evoluídas e outras menos evoluídas, um dia a ficha cai e a própria pessoa retraça ou não o seu caminho.

Como estava na terra de onde tudo pode acontecer, e eu sempre fui apreciadora da música eletrônica, etc e tal; recebo um convite para ser sócia de uma balada. Eu aceitei por “n” motivos, o principal era que pensei comigo, se esse negócio desse certo, adeus mesadinha da família. Eles super me apoiam, mas sei lá, às vezes que queria poder bater no peito e dizer: Essa grana foi com o meu suor. Por isso, estava dando aulas, eu não preciso, porém, me fazia sentir bem porque era uma grana que eu mesma estava ganhando. Só que trabalhar com balada não foi muito bem aceito pela minha família, causou um reboliço da zorra, não entrarei em detalhes, mas tive que sair do empreendimento.

Bem, mas assim esse curto período de experiência me fez conhecer gente de todo tipo. Não somente na balada, mas até no dia a dia, porque uma casa noturna não se faz apenas quando o dj tá na pista tocando. Nós temos que ir atrás de distribuidoras de bebidas, parcerias, precisamos organizar o marketing e divulgação, contratar pessoas, toda casa tem que ter bombeiro e enfermaria, é preciso de uma equipe eficiente de segurança, além disso, tem toda uma burocracia para abrir empresa, emitir alvarás de funcionamento, enfim. É toda uma mão de obra e essas vivências me fez conhecer cada figura típica paulistana, como disse no mundo há de tudo.

Meus caros leitores, vocês podem parar e me julgar, quem tem blog tem que estar preparado para as críticas boas e ruins, mas eu nunca tinha conhecido uma transexual de perto e esse trabalho me fez ter contato com uma e pessoas, por favor, abram sua mente, esse pessoal é super do bem mais do que vocês imaginam. A única coisa que eles querem é andar tranquilamente nas ruas com a identidade de gênero que os deixam mais felizes. Conheci uma transexual que é jornalista e fez jornalismo na Unesp, conheci uma que é advogada, outra que é hostess e lindíssima. Eu que já tinha escrito sobre elas em meu TCC, dessa vez, pude conviver de perto com elas e se caso ingressar na residência de psiquiatria eu quero me especializar em sexualidade, quem sabe meu TCC na faculdade de medicina seja sobre transexuais? Quem sabe?

Olha, eu posso dizer que toda essa bagagem que a terra da garoa me deu em alguns dias, talvez, qualquer intercâmbio na França ou qualquer país da Europa e América Latina não tivesse sido tão válido, por isso, não me arrependo de ter adiado novamente meu sonho de desbravar o mundo afora. Eu, também, queria dizer que música alta é muito bom, eu gosto de música eletrônica, de dançar, mas, sempre, sempre, sempre, é uma espécie de fuga, pois o silêncio nos traz ao centro de nós mesmos, nos faz mergulhar no autoconhecimento e, talvez, seja disso que as pessoas tanto fogem: De si mesmas.

Carpe Diem, funciona, em um curto breve espaço de tempo, até porque todo mundo precisa tirar férias de si mesmo de vez em quando. No entanto, isso para mim é um hobby, um hobby que, eu acesso uma vez ou outra justamente por curtir o som, mas fica nisso e pronto. Eu prefiro o silêncio, no meu dia a dia, na minha rotina, ele me faz me acessar, acessar o meu próprio mundo e me conhecer, saber quem eu sou para mim é o maior sentido da vida, por isso no meu Deezer e Spotify, Tiago Iorc, é escutado trilhões de vezes, é que muitas vezes é gente demais, falando demais, ir atrás de um pouco de paz é dahora, como diz o paulistano. Mas cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.

Beijinhos de chocolate com morango, meus amores e minhas amoras!

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