Uma História de Amor em Nova York

Tinha vencido o contrato de locação de Juliana. Ela estava em Nova York, melhorando seu inglês, fez boas amizades, mas não imaginava que achar um apartamento na cidade que nunca dorme fosse tão difícil. Procurava há semanas um novo lugar para ficar, mas sem sucesso. Seu prazo estava esgotando, ela tinha que sair do apartamento da avenina cinco o mais rápido possível. Se cadastro em um daqueles sites para moradia. No dia 30 de dezembro ver um anúncio que chamou sua atenção, a pessoa que disponibilizava um apartamento bem próximo de onde estava dizia que procurava alguém para dividir as despesas, porém, mais que isso que fossem amigas. Dizia o anúncio o tão chato era morar com alguém sem afinidades. Juliana naquele exato momento, às 10h da manhã liga para a responsável da publicação e acertam se encontrar às 13h.

Quando Juliana toca a campainha só pensava em encontrar um lugar bacana para mudar-se no dia 31. Abre a porta Sidney, bem nova yorkina, olhos azuis, esbelta, alta e um pouco glacê. As duas se cumprimentam, Joaquina mostra o apartamento e sentam na sala. Também se encontra com a Sidney, a Francesca, uma italiana que precisava partir após o réveillon, pois sua passagem estava marcada. A Sidney e a Francesca dividiam o apartamento há um ano. Mas ao conversarem Francesca vira coadjuvante e parecia que naquele momento só existiam Juliana e a Sidney.

A empatia entre Sidney e Juliana foi tamanha que a Sidney convidou-a para passar a virada do ano juntas, mas Juliana já tinha planos iria virar o ano com alguns amigos. Mas as duas simplesmente de forma espontânea simpatizaram uma com a outra. Passaram a tarde jogando conversa fora e desceram tomar um drink. Combinaram em dividir o apartamento e no dia 1 janeiro Juliana já mudaria para lá.

No dia da mudança quem recebeu Juliana foi a Francesca, pois Sidney só chegaria à noite. Conversaram bastante naquele dia. Francesca sentiu uma certa liberdade e cantou Juliana, mas a mesma disse que ela era uma mulher interessante, no entanto, não se encaixaria no tipo de mulher que Juliana achava atraente foi quando Sidney entrou no assunto e Francesca comentou que a Sidney era heterossexual e tinha um namorado. Juliana ficou um pouco decepcionada, mas disse que não faria nada até porque ambas dividiriam o mesmo espaço e isso poderia atrapalhar a convivência.

Em uma semana Sidney e Juliana pareciam melhores amigas. Tudo que um fazia a outra estava presente, vice e versa. Assim não era muito difícil de imaginar que a estrelinha brilharia para as duas. Juliana chegou cansada do estágio, Sidney estava envolvida nos seus estudos acadêmicos (ela fazia Direito), as duas resolveram tomar um chopp, os olhares se encontraram, Sidney passou a mão no cabelo da Juliana, ela a olhou profundamente e as duas se beijaram. Esse beijo durou uma eternidade. Sidney disse que sempre quis beijar uma mulher, mas não tinha encontrado a pessoa certa. Juliana diz que gostaria que isso não atrapalhasse na relação das duas quando Sidney a beijou novamente.

Aquele dia, sim, foi um dia especial para ambas. Juliana assim que amanheceu o dia leva um café da manhã na cama para a Sidney. As duas sem questionar vivem aquele momento mágico. Começam a ir a exposições de arte juntas, ao teatro juntas, ao cinema juntas, começam a fazer tudo juntas. Juliana dar uma tulipa para a Sidney sua flor favorita. Compra chocolates, prepara almoço, jantar. Iniciam uma realidade até então muito diferente para a Sidney, mas ela se encontra tão encantada que não pensa em nada. Seu namorado começa a cobrar a sua ausência. Ela termina o namoro. Dar um livro de poesias sobre amor com dedicatória para a Sidney. Andam de mãos dadas por Nova York.

Sidney apresenta Juliana para a família. Todos gostam dela e perguntam várias coisas sobre o Brasil, para eles o nosso país tudo pode e Juliana explica como tudo funciona por aqui. Combinam de passar o carnaval no Rio de Janeiro na casa da Juliana. Todos simpatizam com ela. Sidney só suspira. As duas não pensam em mais nada.

“Juliana eu quero ter filhos.” Sidney, nós podemos ter filhos! Eles serão lindos! Já pensou se nascem com seus olhos azuis e meu cabelo preto? “Você é linda teremos filhos lindos!” Juliana colhe flores do jardim do prédio e dar quase todos dias para a Sidney. Sidney aprendeu uma receita nova para surpreender Juliana. Elas planejam viagem para o Brasil, Sidney quer conhecer os pais da Juliana. Juliana já pensa em fixar moradia em Nova York. Começa a procurar emprego no setor de negócios, sua área. Sidney envia alguns currículos para os amigos. Elas já se beijam na rua. Se abraçam. Andam de mãos de dadas.

Até que Sidney começa a pensar que o amor não é tão lindo como imagina quando o porteiro sussurra que aquilo era uma pouca vergonha. As duas descem de um táxi porque o motorista diz que homossexuais irão arder no fogo do inferno. As amigas da Sidney se afastam. Ela nunca tinha sentido o preconceito antes, Juliana sim, pois, ela já tinha sido casada e sabia o quão cruel o ser humano pode ser.

Sidney tem crises existenciais. Começa a sair sem a Julaina. Juliana não entende, mas deixa seu amor livre. Até que um dia Sidney diz que está conhecendo um novo rapaz. Juliana arruma suas malas e vai embora. Sidney não consegue viver sem Juliana, vai a sua procura, as duas reatam, mas Juliana já está adaptada a sua nova dia, iniciou um novo curso, conheceu novas pessoas e está saindo com uma garota.

Sidney chora. Não sabe o que fazer. Mas deixa Juliana livre. As duas tentam viver novamente aquela paixão que ficou para trás. Mas já está tudo tão diferente. Juliana recebe uma ótima proposta de emprego para voltar ao Brasil. Sidney diz que vai com ela. Juliana organiza toda a viagem de volta. Mas Sidney diz que não está preparada. Juliana a beija e agradece por todos os momentos lindos que passaram juntas. Sidney chora, soluça e afirma que seu grande amor tinha sido ela. Juliana fala: Vamos comigo? Sidney chora inconsoladamente e diz: “Eu não posso.” Juliana: Eu te amo! Sidney: “Eu também.” Juliana entra na sala de embarque. Antes de subir no avião dar um tchau com a mão.

Assim que os grandes amores não ficam juntos.

Quando eu me esquecer

Uma sugestão, ler esse texto escutando a música seguinte:

“Não são às estrelas, mas sim a nós mesmos que estamos subordinados” (Shakespeare).

Estava fazendo um luar tão belo, a lua se encontrava em todo seu esplendor quando ela pegou seu saxofone e começou a tocar. As notas choravam no instrumento, mas um choro bonito, não um choro de tristeza, mas de se estar vivo em meio ao universo, um choro de uma beleza de ser quem se é.

Ela em alguns momentos abria seus olhinhos e olhava para o alto, o brilho das estrelas, a lua, a vista do seu apartamento em frente ao parque mais movimentado da cidade, aquele blues, aquelas luzes, e todo esse cenário a fazia viajar pela poesia da música. Ali, fazendo, o que ela nasceu para ser a fez se sentir mais terna consigo mesma, mais amada por si mesma, mais plena.

Sua música se espalhava pela cidade, um casal que passava embaixo da sua janela, por um minuto parou para escutar a melodia. Eles se entreolharam e se beijaram. Ela sorriu contente por ver que o amor é tão simples. Tocou com mais leveza, era um blues que a cada toque a reconstruía. “Essa sou eu, pensou!” Disse para si mesmo, em silêncio, mas como se fosse um contrato assinado de forma invisível que, nunca mais iria se afastar de si mesma.

Caminhou vagarosamente em direção ao espelho enorme da sua sala, se olhou profundamente, se reconheceu como há muito não a se reconhecia. Colocou delicadamente o instrumento ao lado do seu corpo e ecoou uma melodia:

“Eblouie par la nuit à coups de lumières mortelles
A frôler les bagnoles, les yeux comme des têtes d’épingles.
Je t’ai attendu 100 ans dans les rues en noir et blanc
Tu es venu en sifflant.”

Ela se sentia flutuando, cantou com uma voz um pouco rouca, mas doce ao mesmo tempo. Talvez, esse seria o som da vida, algo forte e sensível, paradoxalmente. Parecia que ela se despia de tudo que a prendesse, engoliu sua própria saliva, era a liberdade, o sabor de quem havia se reencontrado, se apreendido, se mastigado, e se exalado. Sim, aquilo, era, realmente, seu aroma, seu gosto, sua música, seu poema, seu eu, sua vida. Era o que ela é! Abraçou seu saxofone e saiu dançando pela sala.

Um Poema

Boa noite! Estava aqui com um poema dentro de mim e quando bate a inspiração, o melhor é obedecê-la! Então gravei esse vídeo com um poeminha que acabei de escrever. Espero que gostem! Beijinhos com sabor de morango com chocolate!!!

 

Pós Saída do Armário

Como hoje é o Dia Internacional Contra a Homofobia eu fiz um vídeo dando dicas de como agir após a saída do armário (saída do armário refere-se quando um homossexual se assume como tal).

Saudades de vcs meus amores e minhas amoras! Beijinhos com sabor de morango e chocolate! ❤ ❤

Amigas

Mas ora bolas, Cassandra, a vida voa!

“Voa sim, Gabi!”

Nossa amizade começou lá no parquinho da pracinha e já vai tantos anos que você será madrinha do meu sobrinho! (Rir).

“Com tudo isso, o laço que era imaginário tornou-se quase um parentesco.”

Nossos destinos foram traçados para se cruzarem mesmo. Veja a vida como ela é meio louca!

“Muito louca.”

Cassandra, lembra daquela viagem que fizemos a Porto Seguro? Você se encantou com um dançarino e disse que ia morar lá?

“Há-há-há-há… a paixão durou até eu conhecer aquele italiano e disse que ia morar na Itália!”

Você era toda intensa. Cheia dos amores impossíveis.

“Época boa. Nunca mais me apaixonei assim. Hoje, minha vida anda morna.”

Eu também não! Também lembro que fiquei trilouca com aqueles drinks chamados de capeta, o que eram aquilo?

“Nossa! Como lembro! Você deu um trabalho! Me lembrei do banho de chuva na praia. Aquela viagem foi histórica.”

Já dividimos tantos momentos incríveis! Éramos tão exageradas, cheias de paixões pela vida; o que houve, Cassandra, conosco? Por que essa mansidão? Não éramos assim!

“Gabi, poderia dizer que tudo é culpa da vida. Os anos nos roubam a coragem, a falta de medo de ser feliz, de arriscar; o tempo muitas vezes é implacável, nos deixa adultos chatos. Mas acho que não seja só isso, somos nós mesmo. Nós nos conformamos e seguimos.”

Não deveria ser assim. Quero ser menos preocupada e mais feliz. Amiga vamos viajar, diz um lugar!

“Vamos! Voltaremos para Porto Seguro, depois seguiremos para São Paulo, precisamos reviver aqueles verões que passávamos naquela cidade. E por último, Londres. Fecharemos a nossa viagem com a sensação de que a vida não é só isso.”

Combinado. Não quero abreviar o que tanto pode ser vasto. Eu quero mais! Mais que acordar todo dia 6h da manhã, seguir o fluxo, trabalhar 4h, almoçar, trabalhar mais 4h, dirigir, chegar em casa, ver filhos, reclamação de marido, jantar, dormir, acordar 6h da manhã, pagar contas, ir à missa aos domingos, visitar os parentes, dar bom dia, boa noite no elevador para as mesmas pessoas todo santo dia. Não quero ser só isso! Nem acho que a vida seja nascer, respirar e morrer.

“Pois, meu bem! Eu estou aqui como sempre estivemos. Lembra que o plano era morar em Amsterdã? Lembra que o plano era vender flores e viver de felicidade? Onde foi que desviamos?”

Foi a vida, amiga! A vida!

“Não, amiga, fomos nós. Nós abreviamos nossa existência quando deixamos de ser o que queríamos, o que éramos para ser o que convém.”

O tempo foge. Não quero ser apenas falta quero ser completude. Amiga dançaremos lambada como duas dançarinas que fomos naquela praia, naquela viagem de Porto Seguro. Andarei rodopiando porque de passos retos não se vive, se suporta, se aguenta, se habitua, quero ser nua, nua de tudo que me prende.

“Ah, bobinha! Já sabíamos disso! Vamos!”

E assim seguiram para um roteiro de viagem cujo o destino era a liberdade, a liberdade de ser quem quisessem ser, somente.

Ah, o amor!

O amor deixa saudades. O amor deixa saudades porque ele é andar de mãos dadas na beira do mar às sete horas da manhã. Porque ele é aquele dengo gostoso quando estamos doentinhos, resfriados, com dor na garganta ou febre. Porque ele é aquele bom dia que arranca um lindo sorriso. Porque ele é aquele agasalho em um dia frio e chuvoso. Porque ele é uma comida chinesa naquela terça-feira complicada e exausta de trabalho. Porque ele é um cheiro no cangote.

Sim, para quem já conheceu o amor, ele sempre deixará saudades. Porque ele é uma festa surpresa de aniversário. Porque o amor acalenta, acolhe, abraça e cuida. Porque o amor é um bilhete na porta da geladeira, dizendo: “Amor, você estava linda dormindo quando eu sair.” Porque o amor é quando aparece sem avisar para te levar em casa no final do dia. Porque o amor é quando fazem de tudo para te ver sorrindo. Porque o amor é uma rosa em uma tarde. Porque o amor é dividir em 10x aquela sua viagem dos sonhos. Porque amor é ligar em tempos de mensagens instantâneas.

Para quem já teve um amor, talvez pense que ele não acontece duas vezes na vida, mas sempre estará disposta a amar novamente. Porque só o amor salva. Porque o amor faz falta. Porque o amor é aquele olhar meio abobado, mas cheio de afeto. Porque o amor é apreciar um pôr do sol em uma tarde de domingo. É sorvete de graviola. Porque o amor é aquela mão estendida sem interesse. Porque amor é quando você é perfeita com seus defeitos. Amor é cachoeira, banho de mar, beijo roubado, brigadeiro de panela. Porque quem já amou sabe que amar é a única coisa que nos faz humanos.

Natália e Sabrina

Leiam escutando essa música:

Elas não tinham nada em comum apenas dividiam o mesmo espaço no ambiente de trabalho, um escritório localizado na Avenida Paulista. Uma era mais séria, a outra mais extrovertida. A mais desinibida sempre a chamava para o almoço, mas sempre recebia um estou terminando esse relatório irei almoçar mais tarde ou eu acabei de comer agora. A verdade era que Natália não gostava muito do jeito jocoso da Sabrina, então, a evitava sempre que desse.

Coisa do destino elas pararam na mesma reunião, embora, trabalhassem no mesmo escritório possuíam funções completamente distintas, mas o acaso está aí justamente para provar que os encontros por vezes são inevitáveis. As duas tinham o mesmo gosto para perfumes. “Que perfume delicioso o seu, Sabrina!” “Obrigada, Natália!” E assim Sabrina foi se aproximando da Natália. Vestiam-se completamente diferentes. Natália mais discreta, enquanto Sabrina adorava usar decotes e calças justas que desenhavam seu corpo esbelto.

Natália passou a observar a Sabrina. Estavam agora trabalhando juntas no mesmo projeto. Passaram a almoçar juntas, a fazer relatórios juntas, a verificar arquivos juntas. Natália tinha uma personalidade forte, logo despertou a atenção da Sabrina. Sabrina muito gentil, sempre disposta a servir e Natália era uma leoa. Natália passou a seguir o balé da Sabrina. “Ah, que balé!”, pensou Natália.

As duas precisaram sair do escritório para ir ao Fórum. Como era próximo optaram por irem andando. Mas choveu. Natália tinha um guarda-chuva. Pediu para que Sabrina o segurasse. Também colocou a mão no ombro dela, Sabrina se corou. Conversaram sobre tantos assuntos inúteis. E se olharam bastante. Quando os olhos se encontravam saíam faíscas. Era tudo muito rebuçado. Um toque aqui, um olhar ali. E ninguém tinha certeza de nada.

Um dia do nada, casualmente, Sabrina entra em um pub e lá está Natália de terninho tomando whisky. Natália ao vê-la, faz um sinal para que ela sentasse ali. As duas beberam tantos drinks, mas tantos drinks que não se sabe como chegaram ao apartamento de Natália. Era um sábado. Um sábado qualquer. São Paulo encontrava-se completamente iluminada, a cidade vibrava, era madrugada, a Paulista repleta de pessoas. Natália jogou a Sabrina na parede. Colocou suas mãos por debaixo do vestido. Sabrina completamente embevecida por Natália deixou que ela fizesse o que quisesse. Natália diz: “Nós não podemos fazer isso! Nós trabalhamos juntas!” Sabrina fala: “Não faça isso comigo. Eu te desejo muito. Ninguém precisa saber.” Natália arranha todo o copo da Sabrina, ela geme. Natália enlouquece de prazer. Ela arranca o vestido da Sabrina. Percebe que a calcinha é fio dental e perde a cabeça. As duas ficam completamente enlouquecidas.

Depois Sabrina vira para a Natália e pergunta se poderá dormir com ela. Natália diz que não pensou em outra coisa e ainda irá fazer o melhor café da manhã que ela já provou. As duas dormem de conchinha. Domingo pela manhã há muitas carícias, muitas risadas, muito café e muitos olhares. As duas estão felizes. Fazem até planos.

Assim Natália perdeu a antipatia por Sabrina e Sabrina por fim conquistou sua paixão platônica. As duas se dão bem até hoje. Adotaram três gatinhas. Frida nasceu. Joaquim também. Abriram uma empresa de câmbio de Euro e Dólar. Casaram no papel. Viajam nas férias. Sabrina engordou um pouquinho depois da última gravidez, mas Natália continua arrancando seus vestidos com a mesma vontade da primeira vez. As duas se amam. Às vezes brigam, mas em questão de minutos já estão se beijando. Natália compra rosas ao menos a cada 15 dias. Sabrina gosta de preparar um risoto de camarão, prato preferido de Natália toda sexta-feira. Sempre diz que a melhor forma de se conquistar além da cama é pelo estômago. Natália adora as crianças, todo domingo as leva para o Ibirapuera, e ninguém sabe diferenciar quem é mais infantil dos três.

Pensar que tudo começou com alguns arranhões, vestidos rasgados, jogadas na parede, beijos e muito toque. Sabrina e Natália. Hoje, Natália, Sabrina, Pérola, Felícia, Joana (as gatas), Frida e Joaquim.

Paradoxos

Leiam escutando essa música:

 

“Marta se você não confia nele, muito menos o ama, por qual motivo ainda idealiza algo?” Fabrício, não sei te responder, mas a sinceridade dele foi a convivência sem máscaras. “Sim, o conheceu assim…” Cortou. A traição vem de quem menos esperamos, vulgo Bernardo, o paladino da moralidade e me traiu por um ano. “Meu bem, se tratando acerca de seres humanos não há garantias.” Ele disse: “Você sabe quando alguém está mentindo! Confie.” “E mesmo assim, você tinha e tem pulgas atrás das orelhas.” Fabrício nós não nos veremos mais, não há espaço na vida de ambos para nenhum dos dois, eu também tenho minhas prioridades… Foi cortada. “Então, por que cargas d’água insiste em refletir sobre isso?” Talvez, porque faça parte da minha personalidade, talvez você como meu amigo não se surpreenda com isso. “Talvez, você goste de histórias, talvez você goste de analisar, talvez você goste de tornar complexo o que é simples. Tomou um chifre, bebe um vinho, manda mensagem para quem tanto espera por um sinal e pronto.” Confiar, Fabrício, é tão traiçoeiro!

Luizinho

Luizinho desde que nasceu sempre foi o centro das atenções. O bebê que já nasceu com belos traços era o chamego de todos. Todos sem exceção tem uma história para contar sobre a sua infância, das disputas que existiam para cuidar dele, eram primas, tias, avó, vizinhas, etc, etc; O menino nasceu para encantar. Mas todo esse magnetismo por ora poder ser bom, por ora não tão bom assim. Mas ele era bobo. Sabe aquele garoto da sua turma da escola considerado o palhaço? Pois bem, era ele, um bobo da corte. Então as maldades passavam despercebidas.

Luizinho era assim, ame-o ou deixe-o; nem ele tinha consciência do que acontecia ao seu redor. Enquanto muitos torciam o nariz, outros o tratavam como rei. Ele muito ingênuo, era feliz, muito feliz. Sem falar que a harmonia dos seus traços físicos despertavam paixões. Quantas meninas fizeram de tudo para tê-lo? Ele quase não se esforçava e sempre tinha uma menina da escola, do inglês, da academia, cursinho, trabalho, faculdade… ele nunca experimentara a solidão.

Luizinho só não sabia que ninguém é tão querido assim, principalmente, quando mesmo sem querer há uma espécie de campo magnético ao redor que não o torna despercebido. No entanto, um garoto não se preocupa com certas bobagens. Ele seguia a fluência do rio. Para ele riqueza nunca foi dinheiro e sim sentimento. Que bobo ele! Ele, tampouco, percebia quem era de verdade ou de mentira. Porém, uma certeza ele tinha, quem o amou, amou de verdade, porque ele nunca se esforçou para nada e na sua vida nunca faltou quem fizesse loucuras pelo seu coração.

Até que um dia ele pensou que seu encanto causava erupções, ele era um vendaval e por onde passava gerava devastações. Sim, ele começou a perceber o que se passava ao seu redor e resolveu ir para o outro lado; o lado dos que faziam tudo para não magoar, ora isso funcionava, ora ele mesmo se magoava ou machucava alguém. Pensou que poderia existir um manual para saber viver, pois ele se perdia nessa estrada. Quem era o Luizinho da história?

Luizinho apenas era mais feliz quando não tinha razão. Luizinho pensava que certos acontecimentos fossem assim porque deveriam ser assim e assim era para todo mundo. Mal sabia ele que ao ir para o centro do salão fosse a ambição de alguns e essa sua facilidade em andar pelo salão fosse tão questionada. Mas ele não sabia. Para ele era, não sei, só sei que é assim. Entretanto, Luizinho aconteça o que acontecer sempre será o bobo da corte. Bobo é o que o torna feliz! Para ele com ou sem consciência a vida só tem graça se gargalharmos à toa.

Luizinho não se importe tanto, culpa todos nós buscamos, aponte e siga o fluxo. Olha, tudo que lhe acontece é por merecimento se é assim ou desassim não é da sua alçada decidir, os destinos se cumprem, apenas faça o que de melhor sabe fazer: Ser feliz e amar ao próximo! O resto é o resto. Siga o fluxo! Juro, Luizinho, que quando precisares de um ombro amigo a Alice sempre estará contigo. “Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si é sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti… Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu é sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu. É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações e assim ter amigos contigo em todas as situações.”

Alice na Toca do Coelho

Então, eu sou capricorniana, gosto de planejar as coisas, mas algo que decidi fazer em minha vida é − deixar as coisas fluírem. Por isso, ando evitando organizar tudo, planejar cada passo, e para apimentar minha existência resolvi abrir espaço para o acaso. E, nessa onda de deixar a vida me levar, eu estava pensando o que fazer antes das aulas começarem. As opções eram várias. Na verdade, se eu tivesse me organizado daria para ter feito o meu intercâmbio que vivo adiando a anos. Ele ia rolar com uma ex namorada, mas ela acha que não dar para manter a amizade e prefere evitar contato, eu respeito isso. Eu tenho um pouco de medinho de partir para o mundo assim meio que sozinha, mas é algo que vou trabalhar esse ano, senão certos sonhos ficarão apenas no papel.

Daí a mocinha pensa em ir para um lugar não tão longe e que já conhece, Sampa, também, ver a oportunidade de participar de um congresso, quem faz faculdade, sabe que esses congressos nas férias são os melhores, pois você está de boa, não tem nada para estudar, não tem provas, trabalhos, seminários, etc; uma ótima chance para discutir assuntos da sua área e de uma forma leve, você nem precisa faltar as aulas, fazer aquela média com os professores para não levar falta. Só é um ruim para quem quer se desligar de vez dos estudos, porque há pessoas que levam a sério esse lance de férias, quer ficar completamente de buenas mesmo. Enfim, então fiz minha inscrição e decidi participar.

Antes do congresso rolar, fui para sampa, passei réveillon com alguns primos que não via há um bom tempo, vi amigos que também não tinha visto há um tempão. Tudo dentro da casinha. Mas assim depois disso muita coisa aconteceu, cada coisa inesperada. Eu entendo a super proteção e preocupação da minha mãe, realmente, o mundo lá fora é cheio de tudo, de tudo que você possa imaginar: muita droga, muita bebida, muita promiscuidade, muita gente esperta, mas essa esperteza dura até encontrar outra pessoa esperta, muita gente querendo se dar bem sem transpirar uma gota de suor. Eu posso dizer que como voyeur vi muita coisa.

O bom de ter tido uma educação sólida, é que de fato, certas figuras que você esbarra pelo caminho no máximo te fará refletir sobre a existência humana e o sentido da vida. Ás vezes penso que, me manter no meu mundinho cor de rosa, na minha bolhinha seria o melhor para mim, mas dessa forma, eu seria a eterna menina, nunca iria crescer de fato, então, é bom ver a realidade, enfrentar a realidade, mesmo que ela não seja a minha, é bom conhecer as várias esferas da vida. Pois bem, eu não saberia classificar pessoas boas de pessoas ruins. Para mim há pessoas mais evoluídas e outras menos evoluídas, um dia a ficha cai e a própria pessoa retraça ou não o seu caminho.

Como estava na terra de onde tudo pode acontecer, e eu sempre fui apreciadora da música eletrônica, etc e tal; recebo um convite para ser sócia de uma balada. Eu aceitei por “n” motivos, o principal era que pensei comigo, se esse negócio desse certo, adeus mesadinha da família. Eles super me apoiam, mas sei lá, às vezes que queria poder bater no peito e dizer: Essa grana foi com o meu suor. Por isso, estava dando aulas, eu não preciso, porém, me fazia sentir bem porque era uma grana que eu mesma estava ganhando. Só que trabalhar com balada não foi muito bem aceito pela minha família, causou um reboliço da zorra, não entrarei em detalhes, mas tive que sair do empreendimento.

Bem, mas assim esse curto período de experiência me fez conhecer gente de todo tipo. Não somente na balada, mas até no dia a dia, porque uma casa noturna não se faz apenas quando o dj tá na pista tocando. Nós temos que ir atrás de distribuidoras de bebidas, parcerias, precisamos organizar o marketing e divulgação, contratar pessoas, toda casa tem que ter bombeiro e enfermaria, é preciso de uma equipe eficiente de segurança, além disso, tem toda uma burocracia para abrir empresa, emitir alvarás de funcionamento, enfim. É toda uma mão de obra e essas vivências me fez conhecer cada figura típica paulistana, como disse no mundo há de tudo.

Meus caros leitores, vocês podem parar e me julgar, quem tem blog tem que estar preparado para as críticas boas e ruins, mas eu nunca tinha conhecido uma transexual de perto e esse trabalho me fez ter contato com uma e pessoas, por favor, abram sua mente, esse pessoal é super do bem mais do que vocês imaginam. A única coisa que eles querem é andar tranquilamente nas ruas com a identidade de gênero que os deixam mais felizes. Conheci uma transexual que é jornalista e fez jornalismo na Unesp, conheci uma que é advogada, outra que é hostess e lindíssima. Eu que já tinha escrito sobre elas em meu TCC, dessa vez, pude conviver de perto com elas e se caso ingressar na residência de psiquiatria eu quero me especializar em sexualidade, quem sabe meu TCC na faculdade de medicina seja sobre transexuais? Quem sabe?

Olha, eu posso dizer que toda essa bagagem que a terra da garoa me deu em alguns dias, talvez, qualquer intercâmbio na França ou qualquer país da Europa e América Latina não tivesse sido tão válido, por isso, não me arrependo de ter adiado novamente meu sonho de desbravar o mundo afora. Eu, também, queria dizer que música alta é muito bom, eu gosto de música eletrônica, de dançar, mas, sempre, sempre, sempre, é uma espécie de fuga, pois o silêncio nos traz ao centro de nós mesmos, nos faz mergulhar no autoconhecimento e, talvez, seja disso que as pessoas tanto fogem: De si mesmas.

Carpe Diem, funciona, em um curto breve espaço de tempo, até porque todo mundo precisa tirar férias de si mesmo de vez em quando. No entanto, isso para mim é um hobby, um hobby que, eu acesso uma vez ou outra justamente por curtir o som, mas fica nisso e pronto. Eu prefiro o silêncio, no meu dia a dia, na minha rotina, ele me faz me acessar, acessar o meu próprio mundo e me conhecer, saber quem eu sou para mim é o maior sentido da vida, por isso no meu Deezer e Spotify, Tiago Iorc, é escutado trilhões de vezes, é que muitas vezes é gente demais, falando demais, ir atrás de um pouco de paz é dahora, como diz o paulistano. Mas cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.

Beijinhos de chocolate com morango, meus amores e minhas amoras!