Ah, o amor!

O amor deixa saudades. O amor deixa saudades porque ele é andar de mãos dadas na beira do mar às sete horas da manhã. Porque ele é aquele dengo gostoso quando estamos doentinhos, resfriados, com dor na garganta ou febre. Porque ele é aquele bom dia que arranca um lindo sorriso. Porque ele é aquele agasalho em um dia frio e chuvoso. Porque ele é uma comida chinesa naquela terça-feira complicada e exausta de trabalho. Porque ele é um cheiro no cangote.

Sim, para quem já conheceu o amor, ele sempre deixará saudades. Porque ele é uma festa surpresa de aniversário. Porque o amor acalenta, acolhe, abraça e cuida. Porque o amor é um bilhete na porta da geladeira, dizendo: “Amor, você estava linda dormindo quando eu sair.” Porque o amor é quando aparece sem avisar para te levar em casa no final do dia. Porque o amor é quando fazem de tudo para te ver sorrindo. Porque o amor é uma rosa em uma tarde. Porque o amor é dividir em 10x aquela sua viagem dos sonhos. Porque amor é ligar em tempos de mensagens instantâneas.

Para quem já teve um amor, talvez pense que ele não acontece duas vezes na vida, mas sempre estará disposta a amar novamente. Porque só o amor salva. Porque o amor faz falta. Porque o amor é aquele olhar meio abobado, mas cheio de afeto. Porque o amor é apreciar um pôr do sol em uma tarde de domingo. É sorvete de graviola. Porque o amor é aquela mão estendida sem interesse. Porque amor é quando você é perfeita com seus defeitos. Amor é cachoeira, banho de mar, beijo roubado, brigadeiro de panela. Porque quem já amou sabe que amar é a única coisa que nos faz humanos.

Natália e Sabrina

Leiam escutando essa música:

Elas não tinham nada em comum apenas dividiam o mesmo espaço no ambiente de trabalho, um escritório localizado na Avenida Paulista. Uma era mais séria, a outra mais extrovertida. A mais desinibida sempre a chamava para o almoço, mas sempre recebia um estou terminando esse relatório irei almoçar mais tarde ou eu acabei de comer agora. A verdade era que Natália não gostava muito do jeito jocoso da Sabrina, então, a evitava sempre que desse.

Coisa do destino elas pararam na mesma reunião, embora, trabalhassem no mesmo escritório possuíam funções completamente distintas, mas o acaso está aí justamente para provar que os encontros por vezes são inevitáveis. As duas tinham o mesmo gosto para perfumes. “Que perfume delicioso o seu, Sabrina!” “Obrigada, Natália!” E assim Sabrina foi se aproximando da Natália. Vestiam-se completamente diferentes. Natália mais discreta, enquanto Sabrina adorava usar decotes e calças justas que desenhavam seu corpo esbelto.

Natália passou a observar a Sabrina. Estavam agora trabalhando juntas no mesmo projeto. Passaram a almoçar juntas, a fazer relatórios juntas, a verificar arquivos juntas. Natália tinha uma personalidade forte, logo despertou a atenção da Sabrina. Sabrina muito gentil, sempre disposta a servir e Natália era uma leoa. Natália passou a seguir o balé da Sabrina. “Ah, que balé!”, pensou Natália.

As duas precisaram sair do escritório para ir ao Fórum. Como era próximo optaram por irem andando. Mas choveu. Natália tinha um guarda-chuva. Pediu para que Sabrina o segurasse. Também colocou a mão no ombro dela, Sabrina se corou. Conversaram sobre tantos assuntos inúteis. E se olharam bastante. Quando os olhos se encontravam saíam faíscas. Era tudo muito rebuçado. Um toque aqui, um olhar ali. E ninguém tinha certeza de nada.

Um dia do nada, casualmente, Sabrina entra em um pub e lá está Natália de terninho tomando whisky. Natália ao vê-la, faz um sinal para que ela sentasse ali. As duas beberam tantos drinks, mas tantos drinks que não se sabe como chegaram ao apartamento de Natália. Era um sábado. Um sábado qualquer. São Paulo encontrava-se completamente iluminada, a cidade vibrava, era madrugada, a Paulista repleta de pessoas. Natália jogou a Sabrina na parede. Colocou suas mãos por debaixo do vestido. Sabrina completamente embevecida por Natália deixou que ela fizesse o que quisesse. Natália diz: “Nós não podemos fazer isso! Nós trabalhamos juntas!” Sabrina fala: “Não faça isso comigo. Eu te desejo muito. Ninguém precisa saber.” Natália arranha todo o copo da Sabrina, ela geme. Natália enlouquece de prazer. Ela arranca o vestido da Sabrina. Percebe que a calcinha é fio dental e perde a cabeça. As duas ficam completamente enlouquecidas.

Depois Sabrina vira para a Natália e pergunta se poderá dormir com ela. Natália diz que não pensou em outra coisa e ainda irá fazer o melhor café da manhã que ela já provou. As duas dormem de conchinha. Domingo pela manhã há muitas carícias, muitas risadas, muito café e muitos olhares. As duas estão felizes. Fazem até planos.

Assim Natália perdeu a antipatia por Sabrina e Sabrina por fim conquistou sua paixão platônica. As duas se dão bem até hoje. Adotaram três gatinhas. Frida nasceu. Joaquim também. Abriram uma empresa de câmbio de Euro e Dólar. Casaram no papel. Viajam nas férias. Sabrina engordou um pouquinho depois da última gravidez, mas Natália continua arrancando seus vestidos com a mesma vontade da primeira vez. As duas se amam. Às vezes brigam, mas em questão de minutos já estão se beijando. Natália compra rosas ao menos a cada 15 dias. Sabrina gosta de preparar um risoto de camarão, prato preferido de Natália toda sexta-feira. Sempre diz que a melhor forma de se conquistar além da cama é pelo estômago. Natália adora as crianças, todo domingo as leva para o Ibirapuera, e ninguém sabe diferenciar quem é mais infantil dos três.

Pensar que tudo começou com alguns arranhões, vestidos rasgados, jogadas na parede, beijos e muito toque. Sabrina e Natália. Hoje, Natália, Sabrina, Pérola, Felícia, Joana (as gatas), Frida e Joaquim.

Paradoxos

Leiam escutando essa música:

 

“Marta se você não confia nele, muito menos o ama, por qual motivo ainda idealiza algo?” Fabrício, não sei te responder, mas a sinceridade dele foi a convivência sem máscaras. “Sim, o conheceu assim…” Cortou. A traição vem de quem menos esperamos, vulgo Bernardo, o paladino da moralidade e me traiu por um ano. “Meu bem, se tratando acerca de seres humanos não há garantias.” Ele disse: “Você sabe quando alguém está mentindo! Confie.” “E mesmo assim, você tinha e tem pulgas atrás das orelhas.” Fabrício nós não nos veremos mais, não há espaço na vida de ambos para nenhum dos dois, eu também tenho minhas prioridades… Foi cortada. “Então, por que cargas d’água insiste em refletir sobre isso?” Talvez, porque faça parte da minha personalidade, talvez você como meu amigo não se surpreenda com isso. “Talvez, você goste de histórias, talvez você goste de analisar, talvez você goste de tornar complexo o que é simples. Tomou um chifre, bebe um vinho, manda mensagem para quem tanto espera por um sinal e pronto.” Confiar, Fabrício, é tão traiçoeiro!

Luizinho

Luizinho desde que nasceu sempre foi o centro das atenções. O bebê que já nasceu com belos traços era o chamego de todos. Todos sem exceção tem uma história para contar sobre a sua infância, das disputas que existiam para cuidar dele, eram primas, tias, avó, vizinhas, etc, etc; O menino nasceu para encantar. Mas todo esse magnetismo por ora poder ser bom, por ora não tão bom assim. Mas ele era bobo. Sabe aquele garoto da sua turma da escola considerado o palhaço? Pois bem, era ele, um bobo da corte. Então as maldades passavam despercebidas.

Luizinho era assim, ame-o ou deixe-o; nem ele tinha consciência do que acontecia ao seu redor. Enquanto muitos torciam o nariz, outros o tratavam como rei. Ele muito ingênuo, era feliz, muito feliz. Sem falar que a harmonia dos seus traços físicos despertavam paixões. Quantas meninas fizeram de tudo para tê-lo? Ele quase não se esforçava e sempre tinha uma menina da escola, do inglês, da academia, cursinho, trabalho, faculdade… ele nunca experimentara a solidão.

Luizinho só não sabia que ninguém é tão querido assim, principalmente, quando mesmo sem querer há uma espécie de campo magnético ao redor que não o torna despercebido. No entanto, um garoto não se preocupa com certas bobagens. Ele seguia a fluência do rio. Para ele riqueza nunca foi dinheiro e sim sentimento. Que bobo ele! Ele, tampouco, percebia quem era de verdade ou de mentira. Porém, uma certeza ele tinha, quem o amou, amou de verdade, porque ele nunca se esforçou para nada e na sua vida nunca faltou quem fizesse loucuras pelo seu coração.

Até que um dia ele pensou que seu encanto causava erupções, ele era um vendaval e por onde passava gerava devastações. Sim, ele começou a perceber o que se passava ao seu redor e resolveu ir para o outro lado; o lado dos que faziam tudo para não magoar, ora isso funcionava, ora ele mesmo se magoava ou machucava alguém. Pensou que poderia existir um manual para saber viver, pois ele se perdia nessa estrada. Quem era o Luizinho da história?

Luizinho apenas era mais feliz quando não tinha razão. Luizinho pensava que certos acontecimentos fossem assim porque deveriam ser assim e assim era para todo mundo. Mal sabia ele que ao ir para o centro do salão fosse a ambição de alguns e essa sua facilidade em andar pelo salão fosse tão questionada. Mas ele não sabia. Para ele era, não sei, só sei que é assim. Entretanto, Luizinho aconteça o que acontecer sempre será o bobo da corte. Bobo é o que o torna feliz! Para ele com ou sem consciência a vida só tem graça se gargalharmos à toa.

Luizinho não se importe tanto, culpa todos nós buscamos, aponte e siga o fluxo. Olha, tudo que lhe acontece é por merecimento se é assim ou desassim não é da sua alçada decidir, os destinos se cumprem, apenas faça o que de melhor sabe fazer: Ser feliz e amar ao próximo! O resto é o resto. Siga o fluxo! Juro, Luizinho, que quando precisares de um ombro amigo a Alice sempre estará contigo. “Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si é sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti… Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu é sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu. É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações e assim ter amigos contigo em todas as situações.”

Alice na Toca do Coelho

Então, eu sou capricorniana, gosto de planejar as coisas, mas algo que decidi fazer em minha vida é − deixar as coisas fluírem. Por isso, ando evitando organizar tudo, planejar cada passo, e para apimentar minha existência resolvi abrir espaço para o acaso. E, nessa onda de deixar a vida me levar, eu estava pensando o que fazer antes das aulas começarem. As opções eram várias. Na verdade, se eu tivesse me organizado daria para ter feito o meu intercâmbio que vivo adiando a anos. Ele ia rolar com uma ex namorada, mas ela acha que não dar para manter a amizade e prefere evitar contato, eu respeito isso. Eu tenho um pouco de medinho de partir para o mundo assim meio que sozinha, mas é algo que vou trabalhar esse ano, senão certos sonhos ficarão apenas no papel.

Daí a mocinha pensa em ir para um lugar não tão longe e que já conhece, Sampa, também, ver a oportunidade de participar de um congresso, quem faz faculdade, sabe que esses congressos nas férias são os melhores, pois você está de boa, não tem nada para estudar, não tem provas, trabalhos, seminários, etc; uma ótima chance para discutir assuntos da sua área e de uma forma leve, você nem precisa faltar as aulas, fazer aquela média com os professores para não levar falta. Só é um ruim para quem quer se desligar de vez dos estudos, porque há pessoas que levam a sério esse lance de férias, quer ficar completamente de buenas mesmo. Enfim, então fiz minha inscrição e decidi participar.

Antes do congresso rolar, fui para sampa, passei réveillon com alguns primos que não via há um bom tempo, vi amigos que também não tinha visto há um tempão. Tudo dentro da casinha. Mas assim depois disso muita coisa aconteceu, cada coisa inesperada. Eu entendo a super proteção e preocupação da minha mãe, realmente, o mundo lá fora é cheio de tudo, de tudo que você possa imaginar: muita droga, muita bebida, muita promiscuidade, muita gente esperta, mas essa esperteza dura até encontrar outra pessoa esperta, muita gente querendo se dar bem sem transpirar uma gota de suor. Eu posso dizer que como voyeur vi muita coisa.

O bom de ter tido uma educação sólida, é que de fato, certas figuras que você esbarra pelo caminho no máximo te fará refletir sobre a existência humana e o sentido da vida. Ás vezes penso que, me manter no meu mundinho cor de rosa, na minha bolhinha seria o melhor para mim, mas dessa forma, eu seria a eterna menina, nunca iria crescer de fato, então, é bom ver a realidade, enfrentar a realidade, mesmo que ela não seja a minha, é bom conhecer as várias esferas da vida. Pois bem, eu não saberia classificar pessoas boas de pessoas ruins. Para mim há pessoas mais evoluídas e outras menos evoluídas, um dia a ficha cai e a própria pessoa retraça ou não o seu caminho.

Como estava na terra de onde tudo pode acontecer, e eu sempre fui apreciadora da música eletrônica, etc e tal; recebo um convite para ser sócia de uma balada. Eu aceitei por “n” motivos, o principal era que pensei comigo, se esse negócio desse certo, adeus mesadinha da família. Eles super me apoiam, mas sei lá, às vezes que queria poder bater no peito e dizer: Essa grana foi com o meu suor. Por isso, estava dando aulas, eu não preciso, porém, me fazia sentir bem porque era uma grana que eu mesma estava ganhando. Só que trabalhar com balada não foi muito bem aceito pela minha família, causou um reboliço da zorra, não entrarei em detalhes, mas tive que sair do empreendimento.

Bem, mas assim esse curto período de experiência me fez conhecer gente de todo tipo. Não somente na balada, mas até no dia a dia, porque uma casa noturna não se faz apenas quando o dj tá na pista tocando. Nós temos que ir atrás de distribuidoras de bebidas, parcerias, precisamos organizar o marketing e divulgação, contratar pessoas, toda casa tem que ter bombeiro e enfermaria, é preciso de uma equipe eficiente de segurança, além disso, tem toda uma burocracia para abrir empresa, emitir alvarás de funcionamento, enfim. É toda uma mão de obra e essas vivências me fez conhecer cada figura típica paulistana, como disse no mundo há de tudo.

Meus caros leitores, vocês podem parar e me julgar, quem tem blog tem que estar preparado para as críticas boas e ruins, mas eu nunca tinha conhecido uma transexual de perto e esse trabalho me fez ter contato com uma e pessoas, por favor, abram sua mente, esse pessoal é super do bem mais do que vocês imaginam. A única coisa que eles querem é andar tranquilamente nas ruas com a identidade de gênero que os deixam mais felizes. Conheci uma transexual que é jornalista e fez jornalismo na Unesp, conheci uma que é advogada, outra que é hostess e lindíssima. Eu que já tinha escrito sobre elas em meu TCC, dessa vez, pude conviver de perto com elas e se caso ingressar na residência de psiquiatria eu quero me especializar em sexualidade, quem sabe meu TCC na faculdade de medicina seja sobre transexuais? Quem sabe?

Olha, eu posso dizer que toda essa bagagem que a terra da garoa me deu em alguns dias, talvez, qualquer intercâmbio na França ou qualquer país da Europa e América Latina não tivesse sido tão válido, por isso, não me arrependo de ter adiado novamente meu sonho de desbravar o mundo afora. Eu, também, queria dizer que música alta é muito bom, eu gosto de música eletrônica, de dançar, mas, sempre, sempre, sempre, é uma espécie de fuga, pois o silêncio nos traz ao centro de nós mesmos, nos faz mergulhar no autoconhecimento e, talvez, seja disso que as pessoas tanto fogem: De si mesmas.

Carpe Diem, funciona, em um curto breve espaço de tempo, até porque todo mundo precisa tirar férias de si mesmo de vez em quando. No entanto, isso para mim é um hobby, um hobby que, eu acesso uma vez ou outra justamente por curtir o som, mas fica nisso e pronto. Eu prefiro o silêncio, no meu dia a dia, na minha rotina, ele me faz me acessar, acessar o meu próprio mundo e me conhecer, saber quem eu sou para mim é o maior sentido da vida, por isso no meu Deezer e Spotify, Tiago Iorc, é escutado trilhões de vezes, é que muitas vezes é gente demais, falando demais, ir atrás de um pouco de paz é dahora, como diz o paulistano. Mas cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.

Beijinhos de chocolate com morango, meus amores e minhas amoras!

Congresso Nacional dos Estudantes de Medicina – COBREM

Mores, as faculdades de Medicina estão cada vez mais negras, pardas, coloridas, cheia de viados e sapatão, da galerinha menos abastada, graças a Deus, diria a nossa querida Inês Brasil. Minhas impressões sobre o Congresso é que: A juventude dessa nova geração é porreta; ela não quer apenas exercer a Medicina, ela quer mudar o mundo, se importa com as questões sociais, se importa com o paciente de forma humanizada, ele não é apenas partes anatômicas; é uma galerinha que possui empatia, coração e consciência. Resultado: Simplesmente positivo.

Quanto a mim, mores, não sou mais aquela devoradora de microfones, arrasadora de palanques, mas continuo com a mesma utopia, apenas fora dos holofotes, porém, aguerrida, uma aguerrida um tanto mais tranquilex. Eu participei dos fóruns, opinei, falei o que penso, vi todas as mesas, com direito a arrepios e tudo, mas livre, participei de tudo com liberdade, eu que fiz minha programação e fui nas atividades que estava interessada, sem aquela militância cega, que você sente uma certa obrigação de fazer como manda a cartilha das instituições as quais representa, meu partido sou eu, rsrsrs.

Também não curto mais dormir em alojamentos, virar noites a fio com a galera em uma discussão marxista trotskista stalinista lenista pós moderna contemporânea, hahahhahahaha. Ando mais comedida, no entanto, mores com a mesma ideologia almejando uma sociedade mais igualitária e justa para todos. Abraço todas as minorias, sim, porque SIM!

Eu senti falta no congresso daquela guerra das chapas, de ver o povo brigando pelos votos dos delegados e delegadas, das bandeiras de todas uniões da juventude como da Juventude Revolucionária, União da Juventude Socialista, Juventude do PT, etc; das instituições estudantis como UNE, UEE, entre outras. Pensei que nesse quesito fosse ser mais emocionante e, entretanto, foi bem comportada.

No geral, percebi que ainda há esperança, que boa parte dos estudantes de Medicina são contra o Golpe, querem o Fora Temer, lutam por mudanças para o povo brasileiro e que ainda há uma chama acesa em mim, reavivou meu espírito de luta e posso dizer que esse congresso foi muito bom para mim, e mores, como disse Cazuza: “Os dados ainda estão rolando,” hahahahahhaha… gostaria de fechar esse texto com uma frase linda do Florestan Fernandes que serve para todos os estudantes de todos os cursos e de todo o mundo: “Ou os estudantes se identificam com o destino do seu povo, com ele sofrendo a mesma luta, ou se dissociam do seu povo, e nesse caso, serão aliados daqueles que exploram o povo.”

Estudantes de todo mundo: Uni-vos!

Uma Pluma Solta Pelo Ar

Seu nome era Cassandra, mas todos as chamavam de Lua, preferia assim. Desde pequenina gostava de observar os astros, determinou que seu nome seria esse e não respondia outro chamado. Todos achavam que ela faria astronomia, mas fez ciências biológicas; dizia que gostava de estudar as borboletas. Ela era uma borboleta! Uma estrela borboleta!

Lua já não tinha poucos aninhos, acabara de completar 30 anos. Ela não sentia o tal peso da idade balzaquiana como a maioria dizia. Trinta anos era apenas trinta anos! “Cacildes, tenho tanto a viver! Ainda não fiz mais que a metade que me propus.” Assim sentia-se, de vez em quando, mulher e, por vezes menina e quase sempre menina-mulher. Se perguntassem a ela explicação para as suas coisas, ela parava, observava e pensava: “Ora, bolas, por que tenho que andar-me a explicar? Fazia birra e não respondia nada!”

Liberdade para ela é como uma pluma solta pelo ar. Sempre se fez sentir o gostinho da liberdade. Certa vez, pegou sua bike rosa pink e junto com seu primo, eles tinham entre 7 e 8 anos; pois bem, os dois juntos fizeram um pacto de que iriam viajar e as suas bicicletas eram como se fossem duas motos. Os dois partiram às 16h, na cidade do interior sergipano, pegaram estrada a dentro. No meio do caminho invadiram fazendas, comeram cajus do pé, subiram nas árvores de manga, tomaram banho de rio… a família toda aflita; dava 20h, 22h e nada desses meninos chegarem. O vento que batia em seus rostos era a sensação de ser livre que ambos queriam. Tão bom ser-se liberdade!

Uma hora da manhã lá vinham os dois, as gargalhadas, felizes, dentes todos de fora; sujos de barro dos pés a cabeça; molhados feito dois pintos; as bicicletas nem cor tinham mais. A tia da Lua e mãe do Felipe completamente desesperada até a polícia tinha acionado. Quando avistou os dois passarinhos chegando, não pensou duas vezes, correu para abraça-los, e os fez prometer que nunca mais aprontariam tamanha peraltice.

Essa história sempre é relembrada e recontada milhões de vezes nas reuniões familiares. Eles só queriam ser livres, duas crianças travessas, que sentiram o gostinho da liberdade, tanto no paladar quanto na face do rosto. Lua era assim toda livre desde menina. Cresceu achando que o mundo era seu e tinha certeza absoluta disso.

Quando adolescente mais parecia uma bailarina a dançar em nuvens de algodão! Uma vez ao fazer uma trilha com os amigos, subiu em uma pedra e bem na sua pontinha se equilibrou; o namorado quase teve um infarto e ela lá bem na extremidade da rocha, grita: “Eu sou livre! Eu sou a Lua! Uma estrela borboleta!

Ela não gostava de mandos, desmandava todos eles. “Quem são esses que pensam que podem? Vão-te procurar o que fazer!” Dizia um tio muito do machista: “Pode deixar que coloco cabresto nessa guria!” Cabresto? Era difícil! Que mané, de cabresto! Lua soube ser-se bem direitinho, voou, decolou e não houve correntes certas para prendê-la. Ela era toda assim quando fazia algo era corpo e alma, bem mais alma que corpo; ela submergia, mergulhava profundo, no seu vocabulário não havia meio termo, ou era ou não era.

Fez 30 anos. Ainda que por vezes cambaleasse sentia-se livre. A liberdade ainda era uma pluma solta pelo ar. E as estrelas e as borboletas ainda eram suas amigas.

liberdade

2016 e as Coisas da Vida

Eu pensei que não fosse dizer isso até o último segundo do dia 31 de dezembro, mas diante a tudo que aconteceu a mim, posso afirmar que 2016 já acabou. Esse ano, realmente, foi o ano das expiações; uma notícia ruim sempre vinha e anulava uma boa. Eu nem sabia direito se comemorava ou se ficava triste, parecia até uma seleção para os concursos públicos, no qual, as provas são elaboradas pela empresa Cespe, uma questão errada anula uma correta.

Um escritor lá do sertão da minha querida, Minas Gerais, Guimarães Rosa, já tinha cantado a bola quando disse que: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” E, a gente vai aprendendo na marra que viver é um aperreio danado e alguns pequenos intervalos de sossego.

Não quero, meus amores e minha amoras, que pensem: “Ela eencontra-se a lamentar.” Quando disse que o ano já findou, me refiro que, 2016 já foi um ano de muitos aprendizados e eu que estava reiniciando e bolando novos planos e, ainda estou, pois todo dia é dia para começar. Com isso, quero que chegue logo 2017. Bem, deste ano, só quero ficar com as boas lembranças, vou fazer a louca da memória seletiva sim, porque não sou obrigada.

Por isso, acredito que o recado foi dado e, os atralavancos deste ano já foram aprendidos. O que mais saquei de tudo que vivi é que o cara que fez a revolução em Cuba, o grande, Ernesto Che Guevara, tinha toda razão quando disse: “Há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura.” Então, ainda continuo doce como chocolate, claro que, sem glúten e sem lactose, hahahahaha, mas ainda assim, doce. Porém, forte pra &%#$@*. É isso aí!

Mas de todas as sacanagens, a que vivenciei essa semana foi de longe, a menos difícil, a perda de uma pessoa especial, nunca é fácil. Eu estava me enganando há um bom tempo, remediando os meus sentimentos, uma espécie de estratégia de sobrevivência, Darwin, teria se orgulhado de mim, mas, coração não é apenas fisiológico, esse negócio não bombeia somente sangue, ele parece está vivo e cheio de emoções. Não resisti e chorei, chorei minha dor, rasguei minha dor, nesse momento, quem vos escreve está mais conformada. Às vezes, óbvio, lembro de alguns fatos, nos quais, minha vózinha sempre estava nos fazendo rir e as lágrimas descem. Daí bato aquele papo comigo e digo: Garota, deixe de aperreio, ela está bem! Ela se foi com um semblante de paz, certamente, ela já cumpriu com sua missão aqui na Terra. Então pega o seu coraçãozinho e sossega!

Acho que é isso! Vou seguir em frente, ficar apenas com a onda da memória seletiva, lembrar somente das coisas boas e em homenagem à Marinalva tentar sempre ser uma pessoa melhor, pois foi esse legado que ela deixou para todos nós: Amar ao próximo como a nós mesmos e fazer o bem sem olhar a quem. E, que venham os aperreios e as alegrias do ano de 2017, porque o que a vida quer da gente é CORAGEM.

Resenha Sobre o Filme “O Perfume da Memória”

“A história é sobre a paixão entre duas mulheres, mas não impõe bandeiras. É amor sem signos fechados. Essas duas mulheres poderiam ser substituídas por um homem e uma mulher ou por dois homens. O PERFUME DA MEMÓRIA trata do amar, como verbo. E o amar, como verbo, dispensa substantivos, dispensa rótulos” (Rodrigo Fonseca, crítico de cinema, O ESTADO DE S. PAULO).

O que você faria se o desejo, o amor e um segredo batessem em sua porta no dia seu aniversário?

No dia em que você se divorciou…

Ana e Laura, dois seres completamente diferentes. Ana, asas; Laura, chão.

Ambas esperam coisas explicitamente opostas da vida e do amor.

Ah, mas o amor! Esse sentimento tão desconhecido não busca por razão. Ele dilacera quando tem que dilacerar.

Pois bem, Laura, abriu a porta da sua casa para Ana.

E, assim, é a trama, em um único cenário; na casa da Laura, bem no dia que ela não quer comemorar seu aniversário com os amigos, porque está absorta, envolvida em uma daquelas depressões causadas por rupturas amorosas.

A câmera é o voyeur, elas estão ali, e nós cá estamos a ver tudo se passar. A música, ah, que cenário musical maravilhosamente encantador! Parece que a trilha sonora tira Ana para dançar, e ambas nos seduzem; Ana tão sedutora vai nos guiando, vai guiando Laura, e guia todo o filme. Laura, naturalmente, não resiste e dança com ela. Que ciranda mais instigante, mais sensual, mais fascinante!

Pronto, essa é a palavra chave do filme: Fascinante!

Ana e Laura, tão iguais e tão diferentes! Ana apaixonada pela vida e pela arte, entra em contato com as poesias inconfessáveis e impublicáveis da Laura. Claro, que isso a faz querer conhecer a dona de palavras tão dilacerantes! Laura ao vê-la, não faz ideia, mas Ana é de causar suicídios na alma.

Assim as duas vão se envolvendo, e apenas em uma noite, se apaixonam de forma tão intensa.

Laura e Ana são incontestavelmente de uma beleza arrebatadora!

E, a narrativa segue com poesia e música. Flautas, poesia e violinos. Pois, há as digressões de duas musicistas e a voz do cineasta Osvaldo Montenegro que, nos mostra o quão o amor pode ser tudo, principalmente, surpreendente!

O que você faria se o amor da sua vida e um segredo batessem em sua porta?

SIM!

Laura abriu a porta da sua casa. Ana entrou e como um furacão mudou tudo.

Elas em suas afinidades mágicas disseram: SIM!

Esse é um filme sobre mulheres, sobre duas mulheres, sobre o amor, a poesia delicada dos encontros. Ele permanece como uma fragrância que nos atrai, como a presença forte de um perfume que fica na memória.

 

Marcos e o Amor?

Marcos estava absorto em seus próprios pensamentos, sentado na rede da varanda do seu apartamento, o aroma do café entrava pelos pelos da sua narina, subia vagarosamente para a parte sensitiva do seu cérebro e toda aquela sensação o fazia reflexivo. O que era o amor para Marcos? Ele não tinha a noção exata, poderia ser tudo aquilo do que pensava, mas como também poderia ser justamente ao contrário. Marcos não sabia de nada, igualmente, não tinha a pretensão de saber de nada. Ele só queria sentir. Sempre escolheu tudo pelo sentimento. Suas companhias nunca foram ensaiadas; ele gostava mesmo era dos improvisos. A vida nunca fora um ensaio! Ele sabia que os imprevistos tinham sabores melhores. E, esse danado de destino gostava de lhe surpreender! Mas o que seria o amor para esse cara de 38 anos; publicitário; pai de duas meninas, uma de oito anos e outra de 11 anos; que falava quatro línguas; tivera três esposas, mas nunca casara na igreja. Ele foi anarquista na juventude e meio que assim levou tal conduta para sua maturidade, embora, hoje, fosse um esquerda voltado para o centro e pequeno burguês, verdade seja dita! Para ele o amor poderia ser a memória de um perfume doce; o jeito meigo de falar e de dizer, “se cuida”; um bom vinho; um filme daqueles que te deixam em órbita; um violoncelo; um sorriso feito o sol; o clarear de um amanhecer; uma mensagem no meio daquela reunião chata; uma comida chinesa porque passara o dia atribulado e não tiveste tempo de comer; uma viagem inesperada para um lugar deserto; andar de mãos dadas após sair do cinema; e aquela pegada de estremecer as pernas. O amor pode ser tudo e ao mesmo tempo completamente diferente do que imaginamos. Ele é um cara não muito exigente, ele sentia e isso era o bastante. É Marcos, entretanto, de uma coisa o poeta estava certo:

“Carlos, sossegue, o amor

é isso que você está vendo:

hoje beija, amanhã não beija,

depois de amanhã é domingo

e segunda-feira ninguém sabe

o que será” (Drummond).